CATECISMO DE SÃO PIO X | Sacramentos - Penitência - parte 2

§ 4o - Da dor ou arrependimento

 1) Que é a dor dos pecados?
R: A dor dos pecados consiste num desgosto e numa detestação sincera da ofensa feita a Deus.

2) De quantas espécies é a dor?
R: A dor é de duas espécies: perfeita ou de contrição; imperfeita ou de atrição.

3) Que é a dor perfeita ou de contrição?
R: A dor perfeita é o desgosto de ter ofendido a Deus, porque Deus é infinitamente bom e digno, por Si mesmo, de ser amado sobre todas as coisas.

4) Por que se chama perfeita a dor de contrição?
R: Chama-se perfeita a dor de contrição por duas razões:
1º porque se refere exclusivamente à bondade de Deus, e não ao nosso proveito ou prejuízo;
2º porque nos faz alcançar imediatamente o perdão dos pecados, ficando-nos porém a obrigação de nos confessarmos.

5) Então a dor perfeita alcança-nos o perdão dos pecados independentemente da
confissão?
R: A dor perfeita não nos alcança o perdão dos pecados independentemente da confissão, porque sempre inclui a vontade de se confessar.

6) Por que a dor perfeita, ou contrição, produz este efeito de nos conceder o estado de graça?
R: A dor perfeita, ou contrição, produz este efeito, porque procede da caridade, que não pode encontrar-se na alma juntamente com o pecado mortal.

7) Que é a dor imperfeita ou de atrição?
R: A dor imperfeita ou de atrição é aquela pela qual nos arrependemos de ter ofendido a Deus como nosso supremo Juiz, isto é, por temor dos castigos que merecemos e nos esperam nesta ou na outra vida, ou pela própria fealdade do pecado.

8) Que condições deve ter a dor para ser boa?
R: A dor, para ser boa, deve ter quatro condições: deve ser interna, sobrenatural, suma e universal.

9) Que quer dizer: a dor deve ser interna?
R: Quer dizer que deve estar no coração e na vontade, e não só nas palavras.

10) Por que a dor deve ser interna?
R: A dor deve ser interna, porque a vontade, que se afastou de Deus com o pecado, deve voltar para Deus, detestando o pecado cometido.

11) Que quer dizer: a dor deve ser sobrenatural?
R: Quer dizer que deve ser excitada em nós pela graça do Senhor, e a devemos conceber levados por motivos que procedem da fé.

12) Por que a dor deve ser sobrenatural?
R: A dor deve ser sobrenatural, porque é sobrenatural o fim a que se dirige, isto é, o perdão de Deus, a aquisição da graça santificante e o direito à glória eterna.

13) Explicai melhor a diferença entre a dor sobrenatural e a natural.
R: Quem se arrepende por ter ofendido a Deus infinitamente bom e digno por Si mesmo de ser amado, por ter perdido o Paraíso e merecido o inferno, ou então pela malícia intrínseca do pecado, tem dor sobrenatural, porque estes são os motivos fornecidos pela fé. Quem, ao contrário, se arrependesse só pela desonra ou castigo que lhe vem dos homens, ou por algum prejuízo puramente temporal, teria dor natural, porque se arrependeria só por motivos humanos.

14) Por que a dor deve ser suma?
R: A dor deve ser suma, porque devemos considerar e odiar o pecado como o maior de todos os males, visto ser ofensa de Deus, sumo Bem.

15) Para ter dor dos pecados, é porventura necessário chorar, como às vezes se chora
pelas desgraças desta vida?
R: Não. Não é necessário que materialmente se chore pela dor dos pecados; mas basta que no íntimo do coração se deplore mais o ter ofendido a Deus, do que qualquer outra desgraça.

16) Que quer dizer que a dor deve ser universal?
R: Quer dizer que se deve estender a todos os pecados mortais cometidos

17) Por que a dor se deve estender a todos os pecados mortais cometidos?
R: Porque quem se não arrepende, ainda que seja de um só pecado mortal, continua sendo inimigo de Deus.

18) Que devemos fazer para ter dor dos nossos pecados?
R: Para ter dor dos nossos pecados, devemos pedi-la de todo o coração a Deus e excitá-la ein tios com a consideração do grande mal que fizemos, pecando.

19) Como fareis para vos excitardes a detestar os pecados?
R: Para me excitar a detestar os pecados considerarei:
1º o rigor da infinita justiça de Deus, e a deformidade do pecado que enfeiou a minha alma, e me tornou merecedor das penas eternas do inferno;
2º que perdi a graça, a amizade e a qualidade de filho de Deus, e a herança do Paraíso;
3º que ofendi o meu Redentor que morreu por mim, e que os meus pecados foram a causa da sua morte;
4º que desprezei o meti Criador, o meu Deus; que Lhe voltei as costas, a Ele, meu sumo Bem, digno de ser amado sobre todas as coisas, e servido fielmente.

20) Devemos ter grande empenho, quando nos vamos confessar, em ter verdadeira dor dos nossos pecados?
R: Sim, quando nos vamos confessar, devemos ter muito empenho em ter verdadeira dor dos nossos pecados, porque esta é a coisa mais importante de todas; e, se falta a dor, a confissão não é válida.

21) Quem se confessa só de pecados veniais, deve ter dor de todos?
Quem se confessa só de pecados veniais, para se confessar validamente, basta que
se arrependa de algum deles; mas, para alcançar o perdão de todos, é necessário que se
arrependa de todos os que reconhece ter cometido.

22) Quem se confessa só de pecados veniais, e não está arrependido nem sequer de um
só, faz uma boa confissão?
R: Quem se confessa só de pecados veniais, e não está arrependido nem sequer de um só, faz uma confissão nula; a confissão além disso é sacrílega, se adverte que lhe falta a dor.

23) Que convém fazer para tornar mais segura a confissão só de pecados veniais?
R: Para tornar mais segura a confissão só de pecados veniais, é prudente acusar, com verdadeira dor, também algum pecado mais grave da vida passada, ainda que já confessado outras vezes.

24) É bom fazer com freqüência o ato de contrição?
R: É coisa boa e muito útil fazer, com freqüência, o ato de contrição, principalmente antes de se deitar, e quando se tem certeza ou se duvida de ter caído em pecado mortal, para recuperar mais depressa a graça de Deus; é útil, sobretudo, para alcançar mais facilmente de Deus a graça de fazer semelhante ato na ocasião de maior necessidade, isto é, em perigo de morte.

§ 5o - Do propósito

25) Em que consiste o propósito?
R: O propósito consiste em uma vontade determinada de nunca mais cometer o pecado, e de empregar todos os meios necessários para o evitar.

26) Que condições deve ter esta resolução, para ser um bom propósito?
R: Para ser um bom propósito, esta resolução deve ter principalmente três condições: deve ser absoluta, universal e eficaz.

27) Que quer dizer: o bom propósito deve ser absoluto?
R: Quer dizer que o propósito deve ser sem condição alguma de tempo, de lugar ou de pessoa.

28) Que quer dizer: o bom propósito deve ser universal?
R: O bom propósito deve ser universal, quer dizer que devemos ter a vontade de evitar todos os pecados mortais, tanto os que já tenhamos cometido no passado, como os que poderíamos cometer ainda.

29) Que quer dizer: o bom propósito deve ser eficaz?
R: O bom propósito deve ser eficaz, quer dizer que é necessário termos uma vontade decidida de perder todas as coisas antes que cometer um novo pecado, de fugir das ocasiões perigosas de pecar, de destruir os maus hábitos, e de satisfazer a todas as obrigações lícitas contraídas em conseqüência dos nossos pecados.

30) Que é que se entende por mau hábito?
R: Por mau hábito entende-se a disposição adquirida para cair com facilidade naqueles pecados aos quais nos acostumamos.

31) Que devemos fazer para corrigir os maus hábitos?
R: Para corrigir os maus hábitos, devemos vigiar sobre nós mesmos, fazer muita oração, confessar-nos com freqüência, ter um bom diretor sem mudá-lo, e pôr em prática os conselhos e os remédios que ele nos propõe.

32) Que se entende por ocasiões perigosas de pecar?
R: Por ocasiões perigosas de pecar entendem-se todas aquelas circunstâncias de tempo, de lugar, de pessoas ou de coisas, que, pela sua própria natureza, ou pela nossa fragilidade, nos induzem a cometer o pecado.

33) Somos gravemente obrigados a evitar todas as ocasiões perigosas?
R: Somos gravemente obrigados a evitar as ocasiões perigosas que de ordinário nos levam a cometer o pecado mortal, e que se chamam ocasiões próximas de pecado.

34) Que deve fazer quem não pode evitar alguma ocasião de pecado?
R: Quem não pode evitar alguma ocasião de pecado diga-o ao confessor, e siga os conselhos dele.

35) Que considerações nos auxiliam a fazer o propósito?
R: Para fazer o propósito auxiliam-nos as mesmas considerações que servem para excitar a dor, isto é, a consideração dos motivos que temos para temer a justiça de Deus, e para amar a sua infinita bondade.

§ 6o - Da acusação dos pecados ao confessor

36) Depois de vos terdes disposto bem para a confissão com o exame, com a dor e com o propósito, que haveis de fazer?
R: Depois de me ter disposto bem com o exame, com a dor e com o propósito, irei fa-
zer ao confessor a acusação dos meus pecados, para receber a absolvição.

37) De que pecados somos obrigados a confessar-nos?
R: Somos obrigados a confessar-nos de todos os pecados mortais; é bom, porém, confessar também os veniais,

38) Quais são as qualidades que deve ter a acusação dos pecados, ou confissão?
R: As qualidades principais que deve ter a acusação dos pecados são cinco: deve ser humilde, íntegra, sincera, prudente e breve.

39) Que querem dizer as palavras: a acusação deve ser humilde?
R: A acusação deve ser humilde, quer dizer que o penitente deve acusar-se diante do seu confessor sem altivez de ânimo ou de palavras, mas com sentimentos de um réu que reconhece a sua culpa, e comparece diante do juiz.

40) Que quer dizer: a acusação deve ser íntegra?
R: A acusação deve ser íntegra, quer dizer que se devem confessar, com as suas circunstâncias e no seu número, todos os pecados mortais cometidos desde a última confissão bem feita, e dos quais se tem consciência.

41) Quais são as circunstâncias que se devem dizer para que a acusação seja íntegra?
R: Para que a acusação seja íntegra, devem acusar-se as circunstâncias que mudam a espécie do pecado.

42) Quais são as circunstâncias que mudam a espécie do pecado?
R: As circunstâncias que mudam a espécie do pecado são:
1º aquelas pelas quais uma ação pecaminosa de venial se torna mortal;
2º aquelas pelas quais uma ação pecaminosa contém a malícia de dois ou mais pecados mortais.

43) Dai-me um exemplo de uma circunstância que faça tornar mortal um pecado venial?
R: Quem, para se desculpar, dissesse uma mentira da qual resultasse dano grave para o próximo, deveria manifestar esta circunstância, que muda a mentira, de oficiosa em gravemente nociva.

44) Dai-me agora exemplo de uma circunstância pela qual uma e a mesma ação pecaminosa contém a malícia de dois ou mais pecados?
R: Quem tivesse roubado uma coisa sagrada, deveria acusar esta circunstância, que acrescenta ao furto a malícia do sacrilégio.

45) Se uma pessoa não tiver a certeza de ter come tido um pecado, deve confessá-lo?
R: Se uma pessoa não tiver a certeza de ter cometido um pecado, não é obrigada a confessá-lo; se porém o quiser acusar, deverá acrescentar que não tem a certeza de o ter cometido.

46) Quem não se lembra exatamente do número dos seus pecados, que deve fazer?
R: Quem não se lembra exatamente do número dos seus pecados, deve acusar o número aproximado.

47) Quem deixou de confessar por esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão?
R: Quem deixou de confessar por esquecimento um pecado mortal, ou uma circunstância necessária, fez uma boa confissão, contanto que tenha empregado a devida diligência no exame de consciência.

48) Se um pecado mortal esquecido na confissão volta depois à lembrança, somos
obrigados a acusá-lo noutra confissão?
R: Se um pecado mortal esquecido na confissão volta depois à lembrança, somos obrigados, sem dúvida, a acusá-lo na primeira vez que de novo nos confessarmos.

49) Quem por vergonha, ou por outro motivo culpável, cala voluntariamente na confissão algum pecado mortal, que comete?
R: Quem, por vergonha, ou por qualquer outro motivo culpável, cala voluntariamente algum pecado mortal na confissão, profana o Sacramento e por isso torna-se réu de gravíssimo mo sacrilégio.

50) Quem ocultou voluntariamente algum pecado mortal na confissão, como há
de conciliar a própria consciência?
R: Quem ocultou culpavelmente algum pecado mortal na confissão, deve expor ao confessor o pecado ocultado, dizer em quantas confissões o ocultou, e repetir todas as confissões, desde a última bem feita.

51) Que deve considerar quem se vir tentado a calar algum pecado na confissão?
R: Quem se vir tentado a calar um pecado grave na confissão, deve considerar:
1° que não teve vergonha de pecar na presença de Deus, que vê tudo;

2° que é melhor manifestar os próprios pecados ao confessor em segredo, do que viver inquieto no pecado, ter uma morte infeliz, e ser por isso envergonhado no dia do Juízo universal, em face do mundo inteiro;

3° que o confessor é obrigado ao sigilo sacramental, sob pecado gravíssimo, e com a ameaça de severíssimas penas temporais e eternas.

52) Que significam estas palavras: a acusação deve ser sincera?
R: A acusação deve ser sincera, significa que é necessário declarar os pecados como eles são, sem os desculpar, sem os diminuir e sem os aumentar.

53) Que significam estas palavras: a confissão deve ser prudente?
R: A confissão deve ser prudente,  significa que, ao confessar os pecados, devemos servir-nos dos termos mais modestos, e que devemos guardar-nos de descobrir os pecados alheios.

54) Que significam estas palavras: a confissão deve ser breve?
R: A confissão deve ser breve, significa que não. devemos ir falar de coisas inúteis ao confessor.

55) Mas o dever de confessar a outro homem os próprios pecados, não será muito custoso, sobretudo se são muito vergonhosos?
R: Ainda que confessar a outro homem os próprios pecados possa ser penoso, é necessário fazê-lo, porque é de preceito divino; e de outro modo não se pode obter o perdão dos pecados cometidos; além disso, a dificuldade de se confessar é compensada por muitas vantagens e grandes consolações.

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