quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O desejo de ver Te adorado!

O zêlo da Tua casa devorou-me (Salmo 68, 10 e João 2, 17). †

“O desejo de ver-Te adorado tanto invade meu coração, eu quisera estar noite e dia aos Teus pés em humilde oração. Assim me sinto Senhor todas as vezes que vou a Tua casa encontrar-Te.”

Sinto-me devorado Senhor, todas as vezes que vou à Tua casa, um local que deveria ser silêncio e contemplação, não em alguns momentos, mas continuamente.

Santo Agostinho em suas reflexões assim escreve, muito ponderadamente: “Também é consumido pelo zelo da casa de Deus aquele que se esforça por emendar tudo de mau que nela encontra, e se não puder emendá-lo, tolera-o, mas se aflige (...).” Como é aflitivo ver nossas Igrejas, que antes eram IGREJAS, um templo, um local de oração, de encontro com nosso Senhor Jesus Cristo, serem transmutadas em local de convívio, e terem seus nomes modificados para Comunidades, uma unidade comum, mas nossas Igrejas Católicas estão longe de prover uma unidade comum com nosso próximo, nossas Igrejas devem prover um ambiente propício a adoração de Nosso Senhor, uma verdadeira contemplação do céu, mas como me aflijo! †

Eu quisera Senhor, estar noite e dia aos Teus pés em humilde oração, e pedir aos membros de nossas Igrejas Católicas que compreendam o profundo significado de estar na Igreja, que mantenham aquele mesmo espírito que os Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo mantiveram quando depois da ressurreição, um respeito religioso pelo sagrado.†

Se um simples pecador se aflige diante de tal cenário, quão não se afligirá nosso Senhor Jesus Cristo † ao ver se profanado em todos os roubos de sacrários que temos observado. Hóstias consagradas † sendo profanadas, derrubadas no chão, pisoteadas, debochas, roubadas. Nossas imagens de devoção sendo cuspidas, quebradas, desrespeitadas, mas fora a profanação física que agora nos atinge, quantas profanações espirituais.

Um jovem, de cerca de seus 10 anos, ao notar o barulho que um grupo de católicos fazia dentro de uma Igreja durante a Santa Missa, voltou-se para sua mãe e afirmou: São pagãos mãe! - Oh Senhor! Não permita nunca que percamos o sentido das Tuas coisas sagradas.

Aqui, o Catecismo do Papa João Paulo II afirma: 2691 - A igreja, casa de Deus, é o lugar próprio da oração litúrgica para a comunidade paroquial. É também o lugar privilegiado para a adoração da presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento † (...). Com que frequência vamos a casa de Deus para nos colocar na presença de Deus e buscar adorá-lo?

Aflijo-me ainda, ao ver as paredes dos Salões de nossas Igrejas completamente nuas, sem qualquer imagem, sem qualquer lembrete de que aquele é um lugar sagrado, dedicado à Nosso Senhor. Não posso me surpreender se nesses ambientes totalmente desnudados da presença de objetos sagrados, impere o mal. É importante revestir nossas igrejas de objetos santos e sagrados para que nos lembremos com frequência do qual sagrado deve ser estar ali. Sobretudo que estejam revestidas da Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo †, o norte para onde deve volver-se o cristão.

Este é o desejo profundo expresso na musica que iniciei o texto, um profundo desejo em ver Nosso Senhor Jesus adorado, desejo que inicia por fora, no comportamento e no corpo físico (em silencio, de joelhos, com postura comedida) e que vai sendo internalizada até chegar no coração. Encerro este texto com uma admoestação de São João Maria Escrivá:

"Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor. (...) Quando na terra se recebem autoridades, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Jesus Cristo em nossa alma, de que maneira não devemos nos preparar?” (São José Maria Escrivá – “Homilias sobre a Eucaristia”, Ed. Quadrante).

O desejo de ver-Te adorado... †

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

As moradas do Castelo Interior



(...) para nós, é necessário trato, pensamento e companhia daqueles que, tendo um corpo mortal como o nosso, realizaram grandes façanhas em nome de Deus. E que erro seria apartar-se de propósito de Quem é todo o nosso bem e remédio, que é a sacratíssima humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Santa Teresa d’Ávila)


É verdade que algumas vezes a dor oprime mais do que em outras, e também se manifesta de formas diferentes, porque a alma não se lembra da dor que há de sofrer por seus pecados, e sim do quanto foi ingrata com Aquele a quem deve tanto. (Santa Teresa d’Ávila)

Fonte: As moradas do Castelo Interior

sábado, 22 de outubro de 2016

Tremendas Trivialidades - notinhas G. K. Chesterton

Nunca se pode ter uma revolução para se estabelecer uma democracia. É preciso haver uma democracia para haver uma revolução.

Há pessoas que protestam que todos os grandes motivos históricos foram econômicos, e depois tem que a plenos pulmões para induzir a democracia moderna a atuar por motivos econômicos.

Estes dizem que a bebida leva à pobreza, aqueles que a pobreza leva à bebida. Só posso admirar-me de que qualquer dos lados se contente com explicações físicas tão simples.

Você não pode ver o vento; pode apenas ver que há o vento. Assim, também não se pode ver uma revolução; pode-se apenas ver que há uma revolução.

Quando quer catalogar uma biblioteca, descobrir o sistema solar ou qualquer ninharia desse tipo, (a nossa civilização) usa especialistas. Mas quando deseja realizar qualquer coisa que seja realmente séria, recolhe doze dos homens ordinários que estão por aí. O mesmo foi feito, se me lembro corretamente, pelo Fundador do Cristianismo (Jesus Cristo).

Quanto mais um homem olha para uma coisa, menos pode vê-la, e quanto mais aprende sobre uma coisa menos a conhece.



Todas as citações foram extraídas do Livro Tremendas Trivialidades de G. K. Chesterton.




Da eternidade do Inferno - Ponto 3 (Final)

No inferno, o que mais se deseja é a morte. “Buscarão os homens a morte e não a encontrarão” (Ap 9,6). Por isso, exclama São Jerônimo. “Ó morte, quão agradável serias àqueles para quem foste tão amarga!”. Disse David que a morte se apascentará com os réprobos (Sl 48,15). E explica-o São Bernardo, acrescentando que, assim como, ao pastar, os rebanhos comem apenas as pontas das ervas e deixam a raiz, assim a morte devora os condenados, mata-os a cada instante e conserva-lhes a vida para continuar a atormentá-los com castigo eterno. De sorte que, diz São Gregório, o réprobo morre continuamente sem morrer nunca. Quando um homem sucumbe de dor, todos têm compaixão dele. Mas o condenado não terá quem dele se compadeça. Estará sempre a morrer de angústia e não encontrará comiseração... O imperador Zenão, sepultado vivo numa masmorra, gritava e pedia que, por piedade, o retirassem dali, mas não o atenderam e, depois, o encontraram morto. As mordeduras que a si mesmo havia feito nos braços, patenteavam o horrível desespero que sentira... Os condenados, exclama São Cirilo de Alexandria, gritam no cárcere infernal, mas ninguém acode a libertá-los, ninguém deles se compadecerá jamais. E quanto tempo durará tão triste estado?... Sempre, sempre.
Lê-se no Exercícios Espirituais, do Pe. Segneri, publicados por Muratori, que, em Roma, se interrogou a um demônio (na pessoa de um possesso), quanto tempo devia ficar no inferno... Respondeu com raiva e desespero: Sempre, sempre!... Foi tal o terror que se apoderou dos circunstantes, que muitos jovens do Seminário Romano, ali presentes, fizeram confissão geral, e sinceramente mudaram de vida, consternados por esse breve sermão de duas palavras apenas... Infeliz Judas!... Há mais de mil e novecentos anos que já está no inferno e, não obstante, se diria que seu castigo apenas vai em princípio!... Desgraçado Caim!... Há cerca de seis mil anos que sofre o suplício infernal e pode-se dizer que ainda se acha no princípio de sua pena! Um demônio a quem perguntaram quanto tempo estava no inferno, respondeu: Desde ontem. E como se lhe replicou que isso não era possível, porque sua condenação já transcorrera há mais de cinco mil anos, exclamou: “Se soubésseis o que é a eternidade, compreenderíeis que, em comparação a ela, cinqüenta séculos nem sequer chegam a ser um instante”. Se um anjo fosse dizer a um réprobo: “Sairás do inferno quando se tiverem passado tantos séculos quantas gotas houver de água na terra, folhas nas árvores e areia no mar”, o réprobo se regozijaria tanto como um mendigo que recebesse a nova de que ia ser rei. Com efeito, passarão todos esses milhões de séculos e outros inumeráveis a seguir, e contudo o tempo de duração do inferno estará sempre no seu começo... Os réprobos desejariam propor a Deus que lhes aumentasse quanto quisesse a intensidade das penas e as prolongasse tanto quanto fosse. Esse fim e essa limitação, entretanto, não existem nem existirão. A voz da divina justiça só repete no inferno as palavras sempre, nunca! Os demônios, por escárnio, perguntarão aos réprobos: “Vai muito adiantada a noite?” (Is 21,11). Quando amanhecerá? Quando acabarão essas vozes, esses prantos, essa infecção, esses tormentos e essas chamas? E os infelizes responderão: Nunca! Nunca!... Mas quanto tempo hão de durar?... Sempre! Sempre!... Ah, Senhor! Iluminai a tantos cegos que, sendo advertidos para tratarem de sua salvação, respondem: “Deixai-nos. Se formos para o inferno, que havemos de fazer?... Paciência?...” Meu Deus! não têm paciência para suportar, às vezes, os incômodos do calor e do frio, nem para sofrer uma leve ofensa, e hão de ter paciência, depois, para serem mergulhados num mar de fogo, suportar tormentos diabólicos o abandono absoluto de Deus e de todos, durante toda a eternidade?


Ó Maria Santíssima, amparo e refúgio meu, quantas vezes me condenei por mim próprio ao inferno e dele me tendes livrado!... Livrai-me, no futuro, de todo pecado, causa única que me pode privar da graça de Deus e lançar-me ao inferno.

Fonte: Preparação para morte - Santo Afonso de Maria Ligório 

sábado, 8 de outubro de 2016

Da eternidade do Inferno - Ponto 2

Aquele que entrar uma vez no inferno jamais sairá de lá. A este pensamento o rei David exclamava trêmulo: “Não me trague o abismo, nem o poço feche sobre mim a sua boca” (Sl 68,16). Apenas um réprobo cai naquele poço de tormentos, fecha-se sobre ele a entrada para nunca mais se abrir. No inferno só há porta para entrar e não para sair, disse Eusébio Emiseno; e explicando as palavras do salmista escreve: “O poço não fecha a sua boca, porque se fechará a abertura em cima e se abrirá em baixo para devorar os réprobos”. Enquanto vivo, o pecador pode ter alguma esperança, mas, se a morte o surpreender em pecado, perderá toda a esperança (Pr 11,7). Se os condenados pudessem ao menos embalar-se em alguma enganosa ilusão que aliviasse o seu desespero horrível!... O pobre enfermo, ferido e prostrado em seu leito, desenganado dos médicos, talvez se iluda a respeito de seu estado, pensando que encontre algum médico ou remédio novo que o possa curar. O infeliz delinqüente, condenado à prisão perpétua, também procura alívio em seu pesar na esperança remota de evadir-se e desta maneira obter a liberdade... Conseguisse sequer o condenado iludir-se assim, pensando que algum dia poderia sair da sua prisão!... Mas não; no inferno não há esperança, nem certa nem provável; não há até um quem sabe? Consolador (Sl 49,21). O desgraçado réprobo verá sempre diante de si a sentença que o obriga a gemer perpetuamente nesse cárcere de sofrimentos. “Uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio que terão sempre diante dos olhos” (Dn 12,2). O réprobo não sofre somente a pena de cada instante, mas a cada instante a pena da eternidade.
“O que agora sofro, dirá, hei de sofrê-lo sempre”. “Gemem os condenados, diz Tertuliano, sob o peso da eternidade”.
Dirijamos, pois, ao Senhor a súplica que lhe fazia Santo Agostinho: “Queimai, cortai e não nos poupeis aqui, para que sejamos perdoados na eternidade”. Os castigos da vida presente são transitórios: “As tuas setas passam. A voz do teu trovão rolou” (Sl 76,19). Mas os castigos da outra vida nunca têm fim. Temamo-los, pois. Temamos a voz do trovão com que o Supremo Juiz pronunciará, no dia do juízo, sua sentença contra os réprobos. “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”. Diz a Escritura in rota, porque a roda é símbolo da eternidade, que não tem fim. Grande é o castigo do inferno, porém o que mais nos deve assustar é ser irrevogável (Ez 21,5). Dirá, porém, o incrédulo: Onde está a justiça de Deus ao castigar com pena eterna um pecado que dura um instante?... E como, responderemos, como se atreve o pecador, por um prazer momentâneo, a ofender um Deus de majestade infinita? “Até a justiça humana, disse São Tomás, mede a pena, não pela duração, mas pela qualidade do crime. Não é porque o homicídio se cometa em um momento que se há de castigar também com pena momentânea”. Para o pecado mortal, um inferno é pouco. A ofensa feita à Majestade infinita deve merecer castigo infinito, diz São Bernardino de Sena. Mas como a criatura, escreve o Doutor Angélico, não é capaz da pena infinita em intensidade, é com justiça que Deus torna a pena infinita em duração.
Além disso, a pena deve ser necessariamente eterna, porque o réprobo jamais poderá prestar satisfação por sua culpa. Nesta vida, o pecador penitente pode satisfazer pela aplicação dos merecimentos de Jesus Cristo; mas o condenado não participa desses méritos, e, portanto, não podendo por si satisfazer a Deus, sendo eterno o pecado, eterno também deve ser o castigo (Sl 48,89). “Ali a culpa — disse o Belluacense — poderá ser castigada, mas jamais expiada” (Lib. II, 3p), porque, segundo Santo Agostinho, “ali o pecador é incapaz de arrependimento”.

O Senhor, portanto, estará sempre irado contra ele (Ml 1,4). E ainda que Deus quisesse perdoar ao réprobo, este não aceitaria a reconciliação, porque sua vontade obstinada e rebelde está confirmada no ódio contra Deus. Disse Inocêncio III: “Os condenados não se humilharão; pelo contrário, crescerá neles a perseverança do ódio”. São Jerônimo afirma que “nos réprobos, o desejo de pecar é insaciável” (Pr 27,20). A ferida de tais desgraçados é incurável; porque eles mesmos recusam a cura (Jr 15,18). 


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Da eternidade do Inferno - Ponto 1

  Se o inferno não fosse eterno, não seria inferno. A pena que dura pouco, não é grande pena. Se a um doente se rompe um abscesso ou queima uma ferida, não deixará de sentir dor vivíssima; como, porém, esta dor passa em breve não se pode considerá-la como tormento grave.
     Seria, porém, grande suplício, se a intervenção cirúrgica perdurasse semanas ou meses. Quando a dor é intensa, ainda que seja breve, torna-se insuportável. E não apenas as dores, até os prazeres e as diversões, prolongando-se em demasia, um teatro, um concerto, continuando, sem interrupção, durante muitas horas, causaria tédio insofrível. E se durassem um mês, um ano? Que será, pois, no inferno, onde não é música, nem teatro que sempre se ouve, nem leve dor que se padece, nem ligeira ferida ou superficial queimadura de ferro candente que atormenta, mas o conjunto de todos os males, de todas as dores não em tempo limitado, mas por toda a eternidade? (Ap 20,10). Esta eternidade é de fé; não é simples opinião, mas sim verdade revelada por Deus em muitos lugares da Sagrada Escritura. “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno. — E irão estes ao suplício eterno. — Pagarão a pena de eterna perdição. Todos serão assolados pelo fogo” (Mt 25,41.46; 2Ts 1,8; Mc 9,48). Assim como o sal conserva o alimento, o fogo do inferno não só atormenta os condenados, mas, ao mesmo tempo, tem a propriedade do sal, conservando lhes a vida. “Ali o fogo consome de tal modo — disse São Bernardo — que conserva sempre”. Insensato seria aquele que, para desfrutar um dia de divertimentos, quisesse condenar-se a uma prisão de vinte ou trinta anos num calabouço! Se o inferno durasse, não cem anos, mas apenas dois ou três, já seria loucura incompreensível que por um instante de prazer nos condenássemos a esses dois ou três anos de tormento gravíssimo.

        Mas não se trata de trinta nem de cem, nem de mil, nem de cem mil anos, trata-se de sofrer para sempre penas terríveis, dores sem fim, males incalculáveis sem alívio algum. Portanto, os santos gemiam e tremiam com razão, enquanto subsistia, com a vida neste mundo, o perigo de se condenarem. O Bem-aventurado Isaías, posto que passasse os dias no deserto entre jejuns e penitências, exclamava: “Infeliz de mim, que ainda não estou livre das chamas infernais”.


Preparação para morte - Santo Afonso M. de Ligório. 

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