domingo, 28 de fevereiro de 2016

Novíssimos: Morte, Juízo, Inferno ou Paraíso.


Dogma de Fé!

Todos os que morrem em pecado mortal vão para o Inferno

Papa Eugénio IV, Concilio de Florença, «Letentur coeli», sessão 6, 6 de Julho de 1439,
ex-cathedra: «Nós definimos também que… as almas daqueles que partem desta vida em pecado mortal, ou em pecado original apenas, vão diretamente para o Inferno, mas para sofrer castigos diferentes.»
Os católicos também têm de saber que todos aqueles que morrem em pecado mortal vão para o Inferno, onde permanecerão eternamente. Pecados mortais incluem: homicídio, fornicação, (i.e., actos sexuais fora do casamento ou actos que conduzem a sexo fora do casamento), mentir, embriaguez, consentimento em pensamentos impuros, masturbação, ver pornografia, adultério, traições, invocar o Santo Nome de Deus em vão, controlo de natalidade (planeamento familiar natural) ou contracepção artificial, auxiliar a propagação de heresias, financiar hereges, desonrar o Domingo (ou dias de guarda), quebrar os mandamentos, etc. Se alguém comete um pecado mortal e depois vai confessar-se, tem de ter o firme propósito de nunca mais cometer esse pecado novamente. Isto é chamado o firme propósito de emenda. Se uma pessoa cometer um pecado mortal e não tiver o firme propósito de emenda quando for se confessar, ele comete um sacrilégio e a confissão é inválida. A maioria das almas vai para o Inferno por causa de pecados da carne. Aqueles que cometem pecados carnais precisam parar imediatamente se não quiserem arder nos fogos do Inferno por toda a eternidade.


Salve Maria!

A Crisma - Introdução

Quando a criança atinge o uso da razão, seus responsáveis procurem ensinar-lhes as verdades fundamentais da Fé Católica: Unidade e Trindade de Deus, Encarnação, Paixão e morte de Jesus Cristo, e o valor do Sacramento da Crisma.

E a criança, assim preparada, receberá com fé e devoção esse grande Sacramento.

Embora não indispensável para a salvação, priva-se de muitas graças quem não recebe a Crisma, e comete pecado quem não o faz por negligencia.

O padrinho ou madrinha de Crisma deve ser do mesmo sexo do crismando, e nunca pode ser o mesmo do Batismo.

O que é o Sacramento da Confirmação?

O Sacramento da Confirmação busca que a pessoa confirme, conscientemente, e de livre decisão a confirmação das promessas feitas no Batismo e firme um compromisso com Deus de segui-lo e não mais abandona-lo.
A unção realizada na pessoa demonstra que a partir da unção do óleo do Crisma, somos ungidos por Deus e repletos do Espirito Santo, já recebido no Batismo, agora, CONFIRMADOS em sua ação Santificante.

O que acontece na Confirmação?

Na confirmação é marcado na alma de um cristão batizado um selo indelével e eterno, que só se pode receber uma vez. O Dom do Espirito Santo é a força do Alto em que esse cristão realiza a graça do seu Batismo ao longo da Vida, como testemunha de Cristo. Torna-se então, um soldado de Cristo, combatendo e lutando pela Fé verdadeira revelação divina.

De que maneira se recebe a chamada unção do Espirito Santo?

Em uma celebração onde esteja presente um bispo da Igreja Católica, a unção é realizada com óleo, visto que é a unção. Todavia, é por meio da imposição de mãos realizada na mesma celebração que o Espirito Santo é transmitido a pessoa.


Muitas passagens na Bíblia fazem menção a transmissão do Espirito Santo por meio da imposição de mãos. No livro do Atos dos Apóstolos é possível verificar como essa prática é difundida entre os discípulos de Jesus. A esta imposição de mãos damos o nome de Crisma.

Também João Batista, o precursor do Batismo alertou que viria alguém a quem ele não é digno que desamarrar as sandálias e que batizaria a todos com o Fogo. 

Depois Jesus vem e alerta ao discípulos que enquanto ele não for, os discípulos não poderão receber o Espirito Santo, sendo assim, era necessário que ele partisse. 

Sendo um costume comum, a unção como método de preparação de um soldado ou de um sacerdote para o serviço a Deus, pareceu prudente que, a cerimonia do Crisma, assim como a do batismo, tivesse a utilização do óleo da Crisma para a unção do eleito.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Uma nota sobre a Campanha da Fraternidade 2016


Todo ano, o povo Católico sofre ao ter que ouvir e dar atenção ao que é conhecido como Campanha da Fraternidade.
Para os músicos um terror, para os leigos uma confusão, para os Padres, mais um ingrediente de dispersão no momento mais sagrado que a Igreja tem durante o ano, a Quaresma.

É deveras triste ver como organização como a CNBB se apropria indevidamente do direito de profanar a casa de Deus, a liturgia e o momento de penitência e reflexão das pessoas que deveriam olhar para si mesmas em busca de Deus.

Falemos do tema da Campanha da Fraternidade este ano: "Casa Comum, nossa responsabilidade".

O que é comum na Campanha da Fraternidade é a ausência de objetivo, de discernimento e de seriedade no processo, mas me preocupo muito mais com a dispersão causada nas missas, quando deveríamos ser chamados ao jejum, oração e penitencias, nos vemos sendo obrigados a refletir sobre um tal assunto tipo Casa Comum. 

A primeira pergunta que podemos fazer é o que é a Casa Comum? Seria a Igreja?!
Quero dizer, será que estamos realmente dizendo que a Casa de Deus é uma casa comum?
Falando honestamente, propositadamente, os assuntos são colocados, há anos, de maneira descabida, dúbia e omitindo o real propósito intencionalmente. Tudo isso para não deixar óbvio a todos do que se trata.

Ao dizer que a CF 2016 é ecumênica e ao dar o nome de Casa Comum, estão buscando dizer de maneira subliminar que a Casa de Deus é para todas as religiões. E que aos poucos devemos diminuir nossas diferenças para outros credos.

Pergunto aos Bispos do Brasil se devemos nos ajoelhar durante a missa junto com os membros do Jihad ou se devemos convidar o EI para celebrar uma missa em conjunto?

Mas tem outro ponto ainda que deve-se meditar e este está relacionado ao Lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amos 5,24)

Fonte: http://portalkairos.org/campanha-da-fraternidade-2016/#ixzz41CLogEY0

Sinceramente, discutir saneamento básico quando deveríamos discutir a salvação de nossas almas?

Aqui alguns objetivos da Campanha da Fraternidade, os quais iremos comentar ponto a ponto  a luz do que deveria ser a fé Católica.

A Campanha da Fraternidade tem hoje os seguintes objetivos permanentes:
1 – Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum;
Nosso comentário: O desejo de fazer a caridade ao próximo só brota, no coração de um católico, na medida em que ele, reconhecendo a caridade e o amor que o Cristo teve para com ele, tem o desejo de devolver, de maneira caridosa, ao próximo um pouco da Graça, de Deus recebida, de graça.
Fazer obras ditas "sociais" na busca de uma igualdade hipotética, é semear o oposto ao plano de Deus. Não passa de uma falácia.


2 – Educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho;
Nosso comentário: Nosso primeiro chamado deve ser para a salvação de nossa alma e através da busca da salvação de nossas almas encontrar, pelo caminho, o desejo de fazer o melhor pelo próximo. O que é chamado de justiça aqui? A única justiça verdadeira vem de Deus, e fora de Deus não há justiça. Não existe a menor possibilidade para a CNBB se colocar na condição de julgadora e aplicar a ela seu conceito distorcido de justiça e amor, os quais unicamente, provém de Deus e são a nós transmitidos pela Tradição Católica e pelo Magistério da Igreja. 

3 – Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja)”.
Nosso comentário: Desde que se começou a fazer o tal plano de modificação das consciências, o povo de Deus, deixou de voltar o olhar para Jesus e  para a Salvação começou a preocupar-se com a tal vida melhor, ao pensar em ter uma vida melhor e mais justa, a cada ano, as pessoas católicas se esquecem de seu Deus e de sua salvação, e procuram cada vez mais uma vida mais justa em sociedade, com a intenção de fazer a vida melhor na terra.
Esqueceu-se de todos os ensinamentos dos Santos, do próprio magistério da Igreja que ensina claramente o quão devemos nos esforçar para nos livrar deste mundo e nos preocupar mais com as coisas de Deus. 

Fonte: http://campanhas.cnbb.org.br/campanha-da-fraternidade

Com músicas mal feitas, de letra pobre e feitas de maneira asquerosa, a Campanha da Fraternidade conseguiu mais uma vez se superar produzindo um material pior do que suas próprias intenções.


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Os verdadeiros Milagres

Texto extraído do Livro O Catecismo Católico da Crise na Igreja.

Como podemos reconhecer que a fé católica é a verdadeira?

Cristo provou a veracidade de sua missão pelos milagres que operou. É por isso que diz:"Não credes que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? Crede pelo menos por causa das minhas obras" (Jo 14,11). Os Apóstolos também se manifestaram por seus milagres: "Eles pregavam em todo lugar, o Senhor agia neles e confirmava a Palavra pelos milagres que a acompanhavam" (Mc 16,20). Os milagres são, pois, provas da missão divina da Igreja.


Pode-se estar certo da existência de milagres?

Sempre houve milagres na Igreja, e a existência desses milagres nunca foi tão certa quanto hoje, quando se pode, graças aos conhecimentos e meios de investigação científicos, excluir explicações naturais com muito mais facilidade do que no passado. A autossugestão e a alucinação não têm lugar aqui. Uma multiplicação de alimentos constatada por várias pessoas que não foram de nenhum modo influenciadas; a ressurreição de um morto; ou a cura súbita de um órgão que quase completamente destruído não podem ser explicadas daquele modo. A Igreja não reconhece um milagre enquanto resta alguma possibilidade, ainda que mínima, de explicação natural.


Todos os milagres são de ordem física?

Ao lado dos milagres ditos "físicos" (fatos que são fisicamente inexplicáveis pelas meras forças da natureza), há também aqueles que se chamam milagres "morais" (fatos que são moralmente inexplicáveis pelas meras forças da natureza).

Dê-nos exemplos de milagres morais.

A difusão do Cristianismo é um milagre moral, pois nenhuma explicação natural pode dar conta do fato de que doze pescadores sem instrução e sem influência possam ter convertido, em pouco tempo, uma grande parte da do mundo, e isso apesar da oposição dos ricos e poderosos. A santidade multiforme que floresce sem interrupção na Igreja há dois mil anos é igualmente um milagre moral.


Os milagres provam as Verdades de Fé?

Os milagres não podem provar diretamente as Verdades de Fé, nem forçar a crer, pois então a Fé não seria mais a Fé, mas uma ciência. Eles mostram, no entanto, que a Fé não é uma confiança cega e sem fundamento, que ela não se opõe a razão, e que, ao contrário, não é razoável descrer.


Texto extraído do Site www.paraclitus.com.br julgamos adequada a explicação.


São critérios positivos de um milagre
– no caso de cura, em se tratando de doença orgânica grave, consistindo em alterações anatômicas significativas (modificação, perda ou hiper-produção de tecidos). Esta doença terá sido diagnosticada pelos métodos mais seguros e considerada totalmente incurável aos olhos da medicina contemporânea;
– no caso de cura, tenham sido ineficientes todos os meios terapêuticos devidamente aplicados;
– no caso de cura, verifique-se a restauração dos órgãos ou tecidos lesados em espaço de tempo tão breve que possa ser considerado instantâneo;
– no caso de cura, não se tenha registrado o prazo ordinariamente necessário para a recuperação gradual da função lesada (a pessoa retoma suas atividades com naturalidade em tempo extraordinariamente pequeno);
– seja a cura duradoura, capaz de ser comprovada por exames sucessivos, feitos a intervalos regulares durante longo espaço de tempo;
– autênticas atitudes de fé (oração e humildade); os efeitos do “milagre” são confirmação dos homens na verdade e no bem, repúdio ao pecado, conversões à reta fé, paz na alma, concórdia e caridade entre as pessoas, fidelidade ao dever de estado, obediência à autoridade eclesiástica, etc.


Alguns milagres comprovados na história da Igreja são observados e mantidos como realce para nossa fé, são inúmeros, tantos que não se podem contar.

Mencionaremos poucos casos para que possa servir de ilustração:

Caso - Os olhos de Gemma di Giorgi sem púpilas - Padre Pio de Pio de Pietrelcina

Ela conheceu pessoalmente o Padre Pio, que pediu a Deus pela moça, a partir de então pode enxergar. 
Segundo consta, ela continua ainda sem púpilas, porem agora pode enxergar. A medicina ainda não pode explicar o que aconteceu neste caso.

https://www.youtube.com/watch?v=11QlHBuT2AQ

Padre Pio, intercedeu e obteve a resposta de Deus para muitos milagres. Sua historia se passa na Italia, entre 1887 até 1968).



Caso - A dança do Sol em Fátima - Portugal - 1917. 

O texto completo sobre a dança do Sol em Fatima está descrita no link abaixo. Em resumo, para aqueles que ainda não acreditavam nas aparições em Fátima, Nossa Senhora prometeu um sinal no céu. O milagre foi realizado na frente de no mínimo 30 mil pessoas e no máximo 100 mil pessoas. Não se tem certeza quanto ao número, uma vez que os procedimentos para calculos de população, ainda hoje, causam questionamentos.

http://chrismasaovicente.blogspot.com.br/2016/02/o-milagre-de-fatima.html

Caso - Milagres diversos intercedidos por São Bento de Nursia

São Bento, é um dos santos que mais me atraem a atenção, não pela quantidade de milagres, mas pelo estilo de vida austero e recluso. 

No livro publicado pela editora Artpress chamado: Vida e Milagres de São Bento (São Gregório Magno, Papa) são narrados muitos casos de milagres intermediados por São Bento, realizados por Deus sempre. Pelos numerosos casos, mencionamentos o titulo de alguns:

1) A água que fez brotar de uma pedra no alto de um monte, página 39.
2) O vaso quebrado e milagrosamente restaurado, página 17.
3) Uma taça de cristal quebrada com o sinal da Cruz, página 29.
4) O discípulo que andou a pés enxutos sobre as águas, página 43.
5) A ressurreição de um morto, página 106.

Não se espantem pois, com o número de milagres operados por aqueles que servem a Cristo, o próprio Jesus advertiu que, se acreditamos n'Ele seriamos capazes de realizar feitos muito maiores do que Ele próprio fez.


Paz e bem!

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Milagre de Fátima


O “Milagre do sol”,70 mil testemunhas em Fátima.

 O Milagre do Sol foi um fenômeno testemunhado por cerca de 70.000 pessoas em 13 de outubro 1917 nos campos de cova da iria, perto de FátimaPortugal . As estimativas do tamanho da multidão variam de “trinta a quarenta mil” por Avelino de Almeida, escrevendo para o jornal português “O Século” , a cem mil, segundo estimativa de José de Almeida Garrett, professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra . Ambos presenciaram o fenómeno .
As crianças haviam relatado em datas anteriores que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, “de modo que todos pudessem acreditar.”
De acordo com muitas indicações das testemunhas,após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Disse-se ser significativamente menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se refletiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas . Foi relatado que o  Sol se teria movido com um padrão de ziguezague , assustando muitos daqueles que o presenciaram, que pensaram ser o fim do mundo . Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas, num curto intervalo de tempo .
De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos . As três crianças relataram terem observado Jesus, a Virgem Maria e São José abençoando as pessoas.”(Wilkipédia)
O Jornal ” O Século “,de onde vem as fotos e a descrição abaixo,não era um jornal católico,pelo contrário, era um jornal extremamente critico quanto à fé  e a Igreja, já que tinha identificação esquerdista e materialista, o que torna a descrição jornalistica mais impressionante  e verossímil
Veja abaixo as imagens e depois o texto original.
***

Artigo do jornalista Avelino de Almeida, onde  descreve o que presenciou na Cova da Iria no dia 13 de Outubro de 1917.
O português é antigo e às vezes não se entende bem,mas  vale a pena ir até o fim.
Este Milagre é considerado o maior milagre de século XX !
Até hoje a ciência não conseguiu explicar o que aconteceu..

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“COISAS ESPANTOSAS!
COMO O SOL BAILOU AO MEIO DIA EM FÁTIMA”
As aparições da Virgem – Em que consistiu o sinal do céu – Muitos milhares de pessoas afirmam ter-se produzido um milagre,
Lucia, de 10 anos; Francisco, de 9, e Jacinta, de 7, que na charneca de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourem, dizem ter falado com a Virgem Maria
OUREM, 13 de Outubro
Ao saltar, após demorada viagem, pelas dezasseis horas de honrem, na estação de Chão de Maçãs, onde se apearam também pessoas religiosas vindas de longes terras para assistir ao “milagre”, perguntei, de chofre, a um rapazote do “char-á-bancs” da carreira se já tinha visto a Senhora. Com seu sorriso sardoico e o olhar enviezado, não hesitou em responder-me:
- Eu cá só lá vi pedras, carros, automoveis, cavalgaduras e gente!
Por um facil equivoco, o trem que nos devia conduzir, a Judah Ruah e a mim, até à vila, não apareceu e decidimo-nos a calcoffiar corajosamente cêrca de duas leguas por não haver logar para nós na diligência e estarem, desde muito, afreguezadas as carriotas que aguardavam passageiros. Pelo caminho, topámos os primeiros ranchos que seguiam em direção ao local santo, distante mais de vinte kilometros bem medidos.



Homens e mulheres vão quasi todos descalços – elas com saquiteis à cabeça, sobrepujados pelas sapatorras; eles abordoando-se a grossos vara-paus e cautelosamente munidos tambem de guarda-chuva. Dir-se-hiam, em geral, alheados do que se passa à sua volta, n”um desinteresse grande da paizagem e dos outros viandantes, como que imersos em sonho, rezando n”uma triste melopeia o terço. Uma mulher rompe com a primeira parte da ave-maria, a saudação; os companheiros, em côro, continuam com a segunda parte, a suplica. N”um passo certo e cadenciado, pisam a estrada poeirenta, entre pinhaes e olivedos, para chegarem antes que se cerre a noite ao sitio da aparição, onde, sob o relento e a luz fria das estrelas, projetam dormir, guardando os primeiros Jogares junto da azinheira bemdita – para no dia de hoje verem melhor.
À entrada da vila, mulheres do povo a quem o meio já infêtou com o virus do céticismo, comentam, em tom de troça, o caso do dia:
- Então vaes vêr ámanhã a santa?
- Eu, não. Se ela ainda cá viesse!
E riem-se com gosto, emquanto os devotos proseguem indiferentes a tudo o que não seja o objetivo da sua romagem. Em hourem só por uma amabilidade extrema se encontra aposentadoria. Durante a noite, reunem-se na praça da vila os mais variados veículos conduzindo crentes e curiosos sem que faltem velhas damas vestidas de escuro, vergadas já ao peso dos anos, mas faiscando-lhes nos olhos o lume ardente da fé que as animou ao ato corajoso de abandonar por um dia o inseparavel cantinho da sua casa. Ao romper d”alva, novos ranchos surgem intrépidos e atravessam, sem pararem um instante, o povoado, cujo silencio quebram com a harmonia dos canticos que vozes femininas, muito armadas, entoam n”um violento contraste com a rudeza dos tipos…
O sol nasce, mas o cariz do céu ameaça tormenta. As nuvens negras acastelam-se precisamente sobre as bandas de Fátima. Nada, todavia, detem os que por todos os caminhos e servindo-se de todos os meios de locomoção para lá confluem. Os automoveis luxuosos deslisam vertiginosamente, tocando as buzinas; os carros de bois arrastam-se com vagar a um lado da estrada; as galeras, as vitorias, os caleches fechados, as carroças nas quaes se improvisaram assentos vão ajoujados a mais não poderem. Quasi todos levam com os farneis, mais ou menos modestos, para as bocas cristãs a ração de folhelho para os irracionaes que o “poverelo” de Assis chamava nossos irmãos e que cumprem valorosamente a sua tarefa… Tilinta uma ou outra guiseira, vê-se uma carrocinha adornada de buxo; no emtanto, o ar festivo é discreto, as maneiras são compostas e a ordem absoluta… Burrinhos choutam à margem da estrada e os ciclistas, numerosissimos, fazem prodígios para não esbarrar de encontro aos carros.
Pelas dez horas, o ceu tolda-se totalmente e não tardou que entrasse a chover a bom chover. As cordas de agua, batidas por um vento agreste, fustigam os rostos, encharcando o macadame e repassando até os ossos os caminhantes desprovidos de chapeus e de quaesquer outros resguardos. Mas ninguem se impaciente ou desiste de proseguir e, se alguns se abrigam sob a copa das arvores, junto dos muros das quintas ou nas distanciadas casas que se debruçam ao longo do caminho, outros continuam a marcha com uma impressionante resistencia, notando-se algumas senhoras cujos vestidos colados aos corpos, por efeito do impeto e da pertinácia da chuva, lhes desenham as fórmas como se tivessem saído do banho!
O ponto da charneca de Fátima, onde se disse que a Virgem aparecera aos pastorinhos do logarejo de Aljustrel, é dominado n”uma enorme extensão pela estrada que corre para Leiria, e ao longo da qual se postaram os veículos que lá conduziram os peregrinos e os mirones. Mais de cem automoveis alguem contou e mais de cem bicicletas, e seria impossível contar os diversos carros que atravancaram a estrada, um d”eles o auto-omnibus de Torres Novas, dentro do qual se irmanavam pessoas de todas as condições sociaes.
Mas o grosso dos romeiros, milhares de creaturas que foram de muitas leguas ao redor e a que se juntaram fieis idos de varias províncias, alemtejanos e algarvios, minhotos e beirões, congregam-se em tomo da pequenina azinheira que, no dizer dos pastorinhos, a visão escolhera para seu pedestal e que podia considerar-se como que o centro de um amplo circulo em cujo rebordo outros espectadores e outros devotos se acomodam. Visto da estrada, o conjunto é simplesmente fantástico. Os prudentes camponios, abarracados sob os chapeus enormes, acompanham, muitos d”eles, o desbaste dos parcos farneis com o conduto espiritual dos hinos sacros e das dezenas do rosario.
Não ha quem tema enterrar os pés na argila empapada, para ter a dita de ver de perto a azinheira sobre a qual ergueram um tosco portico em que bamboleiam duas lanternas… Altenam-se os grupos que cantam os louvores da Virgem, e uma lebre, espavorida, que galga matagal em fóra, apenas desvia as atenções de meia duzia de zagaletes que a alcançam e prostram à cacetada…
E os pastorinhos? Lucia, de 10 anos, a vidente, e os seus pequenos companheiros, Francisco, de 9, e Jacinta, de 7, ainda não chegaram. A sua presença assinala-se talvez meia hora antes da indicada como sendo a da aparição. Conduzem as rapariguinhas, coroadas de capelas de flôres, ao sitio em que se levanta o portico. A chuva cae incessantemente mas ninguem desespera. Carros com retardatários chegam à estrada. Grupos de freis ajoelham na lama e a Lucia pede-lhes, ordena que fechem os chapeus. Transmite-se a ordem, que é obedecida de pronto, sem a minima relutância. Ha gente, muita gente, como que em extase; gente comovida, em cujos labios secos a prece paralisou; gente pasmada, com as mãos postas e os olhos borbulhantes; gente que parece sentir, tocar o sobrenatural…
A criança afirma que a Senhora lhe falou mais uma vez, e o céu, ainda caliginoso, começa, de subito, a clarear no alto; a chuva pára e presente-se que o sol vae inundar de luz a paizagem que a manhã invernosa tomou ainda mais triste…
A hora antiga” é a que regula para esta multidão, que calculos desapaixonados de pessoas cultas e de todo o ponto alheias ás influencias misticas computam em trinta ou quarenta mil creaturas… A manifestação miraculosa, o sinal visivel anunciado está prestes a produzir-se – asseguram muitos romeiros… E assiste-se então a um espectáculo unico e inacreditavel para quem não foi testemunha d”ele. Do cimo da estrada, onde se aglomeram os carros e se conservam muitas centenas de pessoas, a quem escasseou valor para se meter à terra barrenta, vê-se toda a imensa multidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de nuvens, no zenit. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possivel fitar-lhe o disco sem o minimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-hia estar-se realisando um eclipse. Mas eis que um alarido colossal se levanta, e aos espectadores que se encontram mais perto se ouve gritar:
- Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!

Aos olhos deslumbrados d”aquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos biblicos e que, palido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos fóra de todas as leis cosmicas – o sol «bailou», segundo a tipica expressão dos camponeses.. Empoleirado no estribo do auto-omnibus de Torres Novas, um ancião cuja estatura e cuja fisionomia, ao mesmo tempo doce e energica, lembram as de Paul Déroulède, recita, voltado para o sol, em voz clamorosa, de principio a fim, o Credo. Pergunte quem é e dizem-me ser o sr. João Maria Amado de Melo Ramalho da Cunha Vasconcelos.
Vejo-o depois dirigir-se aos que o rodeiam, e que se conservaram de chapeu na cabeça, suplicando-lhes, veementemente, que se descubram em face de tão extraordinária demonstração da existência de Deus. Cenas idênticas repetem-se n”outros pontos e uma senhora clama, banhada em aflitivo pranto e quasi n”uma sufocarão:
- Que lastima! Ainda ha homens que se não descobrem deante de tão estupendo milagre!
E, a seguir, perguntam uns aos outros se viram e o que viram. O maior numero confessa que viu a tremura, o bailado do sol; outros, porém, declaram ter visto o rosto risonho da propria Virgem, juram que o sol girou sobre si mesmo como uma roda de fogo de artificio, que ele baixou quasi a ponto de queimar a terra com os seus raios… Ha quem diga que o viu mudar sucessivamente de côr…
São perto de quinze horas.
O ceu está varrido de nuvens e o sol segue o seu curso com o esplendor habitual que ninguem se atreve a encarar de frente. E os pastorinhos? Lucia, a que fala com a Virgem, anuncia, com ademanes teatraes, ao colo de um homem, que a transporta de grupo em grupo, que a guerra terminára e que os nossos soldados iam regressar… Semelhante nova, todavia, não aumenta o jubilo de quem a escuta. O sinal celeste foi tudo. Ha uma intensa curiosidade em vêr as duas rapariguinhas com suas grinaldas de rosas, ha quem procure oscular as mãos das «santinhas», uma das quaes, a Jacinta, está mais para desmaiar do que para danças”, mas aquilo por que todos anciavam – o sinal do ceu – bastou a satisfazel-os, a radical-os na sua fé de carvoeiro. Vendedores ambulantes oferecem os retratos das crianças em bilhetes postaes e outros bilhetes que representam um soldado do Corpo Expedicionario Portuguez “pensando no auxilio da sua protetora para salvação da Patria” e até uma imagem da Virgem como sendo a figura da visão…
Bom negocio foi esse e decerto mais centavos entraram na algibeira dos vendedores e no tronco das esmolas para os pastorinhos do que nas mãos estendidas e abertas dos leprosos e dos cegos que, acotevelando-se com os romeiros, atiravam aos ares seus gritos lancinantes…
O dispersar faz-se rapidamente, sem dificuldades, sem sombra de desordem, sem que fosse mister que o regulasse qualquer patrulha da guarda. Os peregrinos que mais depressa se retiram, correndo estrada fóra, são os que primeiro chegaram, a pé e descalços com os sapatos à cabeça ou dependurados nos varapaus. Vão, com a alma em lausperene, levar a boa nova aos logarejos que não se despovoaram de todo. E os padres? Alguns compareceram no local, sorridentes, enfileirando mais com os espectadores curiosos do que com os romeiros avidos de favores celestiaes. Talvez um ou outro não lograsse dissimular a satisfação que no semblante dos triunfadores tantas vezes se traduz…
Resta que os competentes digam de sua justiça sobre o macabro bailado do sol que hoje, em Fátima, fez explodir hossanas dos peitos dos fieis e deixou naturalmente impressionados – ao que me asseguraram sujeitos fidedignos os livres pensadores e outras pessoas sem preocupações de natureza religiosa que acorreram à já agora celebrada charneca.Avelino de AlmeidaPubl.: “O Século”, Lisboa (edição da manhã) 37 (l2.876) 15 Out. 1917, p. 1, cols. 6-7; p. 2, col. 1

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sobre o Final do Mundo! As profecias...


Já há muitos anos que, o assunto de um Governo Global conduzido pela Nova Era, juntamente com a apostasia da Igreja, dariam inicio a um novo ciclo na humanidade. Esta era uma teoria defendida nos meios Cristãos e não necessariamente no meio católico.

Isto era o que eu e uns amigos falávamos nos anos 1990 e inicio dos anos 2000. Engraçado é que fazendo a correta interpretação bíblica, nunca se consegue chegar a pergunta que todos fazemos: Quando será o fim?. É, de certa forma, inútil ter esta pergunta, todavia alguns pontos eram sempre comuns em todas estas palestras que assistíamos e hoje, podemos certamente observar os principais pontos das chamadas teorias apocalípticas no mundo atual.  Apresento abaixo os principais pontos, sabendo que não apresentaremos toda a teoria, mas somente os aspectos iniciais irrefutáveis.

Aqui estão:

1) A união das religiões em mundialmente em uma única religião:
O mundo estaria se organizando para viver sobre o julgo de uma única força religiosa que definiria as bases das Crenças mundiais.
Hoje, o mais provável e concreto é que a Igreja Católica seja transformada em algum tipo Centro Unificador das Religiões. Abarcando dentro da doutrina Católica tudo quanto é tipo de doutrina de forma a aceita-las.
Ainda, pode-se observar um esforço absurdo das lideranças Católicas em agradar a todos e fazer concessões de forma a satisfazer as partes.
Aqui entendemos que sobre as pessoas virá a apostasia que vem a ser a ausência de fé verdadeira em Deus.
2) A esterilidade das Mulheres e fenômenos naturais/catástrofes.
Dizíamos que as mulheres não poderiam ter filhos. Agora com o anúncio da ONU que o Zica Vírus atingiu escala mundial, comecei a entender como as mulheres não terão filhos.
A ONU tem um projeto de redução da população mundial para 30%. Imagina só. O mundo reduzido ao tamanho da população da China. Seria o mesmo que ter uma população mundial de 2,1 bilhão de pessoas. E o ponto é que esta redução vai acontecer basicamente nos países de 3º e 4º mundo.
Este processo de mudança fisica da Terra é prevista não só na religião católica, como em muitas outras culturas, inclusive pagãs, preveem um momento de conversão da terra em algo diferente. Porém, ainda incerto.

3) União dos Governos mundiais em uma unica liderança Globalista
Eu acredito que este ainda é um dos grandes problemas para os projetos Globalistas, definir quem mandará no mundo, de quem será a cara a ser considerada como o número 1.
Muitos acreditavam que um ser iluminado nasceria e que ele seria proclamado o grande soberano. Hoje, já se acredita que esta pessoa é o Sr. Vladmir Putin, acredito que até o Sr. Putin acredita nisso. Outros dizem que este nome ainda não se manifestou.
Posso ver que, muito provavelmente, a ONU com seu conselho de segurança, se encarregaria de mandar no mundo, como já o faz.
Por exemplo:

Economia: via resoluções unilaterais, a ONU hoje define as politicas econômicas dos países aliados por meio do FMI.

Saúde: Por meio da OMS, a ONU determina as politicas publicas aplicadas e adotadas em cada país sem nem mesmo precisar de leis aprovadas pelo Senado para tal. Observe-se no Brasil a vacina HPV, casos recentes de modificações em vacinas, o problema dos planos de Saude etc.

Proibição do uso de cigarros, relacionamento sexual entre as pessoas, medidas relacionadas ao aborto.

Conclusão:
Tudo isso, faz parte de uma cartilha Globalista que visa interferir na politica dos países desrespeitando sua autonomia. 

4) Economia Global
Com o advento da globalização mundial, as fronteiras são cada vez menores. As economias se aproximaram muito. É obvio que alguns países como os Africanos e Sul Americanos tem dificuldades para acompanhar o restante do mundo, sendo assim, nós podemos dizer que atrasamos o processo de globalização das Economias. Ainda assim, o processo de integração das economias já está bastante avançado como pode-se perceber.

Ao que pode-se ver, os passos para a conclusão do fim dos tempos já se fazem bastante avançados, muito mais do que imaginamos.
Quando falávamos nos anos 90 sobre esse assunto, jamais imaginamos que, viveríamos para ver a concretização de todas as suposições que nossos estudos indicavam.

A nossa esperança se resguarda ainda em mantermos-nos firme e juntos a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo. Rezar e meditar o Rosário diariamente, confessarmos-nos com regularidade, e não trair nosso Deus pelo amor que temos a Ele.

Cada tópico acima pode e deve ser estudado em sua individualidade, visto que o plano globalista é muito grande e pretende governar o mundo em todos os momentos da vida do individuo, da existência das empresas, da sociedade e de todos os países.

Era a tudo isso que chamávamos quando jovens de A Nova Era.
Todas essas coisas são necessárias para que a Segunda Vinda do Cristo se concretize.



domingo, 14 de fevereiro de 2016

Missa Tridentina e Tradição Católica: Santa Madalena de Nagasaki

Missa Tridentina e Tradição Católica: Santa Madalena de Nagasaki: 20 de Outubro - Santa Madalena de Nagasaki Madalena, filha de nobres e fervorosos cristãos, nasceu em 1611, num povoado muito próx...

CHRISMA SÃO VICENTE: Quarta-feira de Cinzas

CHRISMA SÃO VICENTE: Quarta-feira de Cinzas: BENÇÃO DAS CINZAS O rito da benção e da imposição das Cinzas abre oficialmente a Quaresma, já começada à meia-noite. Os Padres dos ...

Quarta-feira de Cinzas

BENÇÃO DAS CINZAS



O rito da benção e da imposição das Cinzas abre oficialmente a Quaresma, já começada à meia-noite. Os Padres dos primeiros séculos fazem frequentes referencias à penitencia "in cínere et cilício" dos cristãos, aliás ja em uso entre os Hebreus (Lição) e os pagãos. A verdadeira penitência pública e oficial foi introduzida na Igreja nos séculos V e VI.

O período da penitência canônica começava na Quarta-feira de Cinzas e estendia-se até a Quinta-feira santa. Em Roma, no século VII, os penitentes se apresentavam aos Sacerdotes a isso delegados, faziam sua confissão e, se era o caso, recebiam uma veste de cilicio, coberta de cinzas, ficando impedidos de entrar na igreja e com ordem de retirar-se a algum mosteiro onde pudessem cumprir a penitência da Quaresma (Card. Schuster).

Em outros lugares, os penitentes cumpriam na própria casa a penitencia imposta. "Era, porém, uso geral começar a Quaresma com a Confissão, não só para purificar a alma, mas também para poder receber mais frequentemente a santa Comunhão no período sagrado (Righetti).

No século X, caindo em desuso a penitência pública, introduziu-se o costume de impor as cinzas também aos fiéis, uso que bem cedo generalizou-se e foi aprovado por Urbano II.

As Cinzas que, segundo prescrevem as rubricas ja em vigor no século XII, se obtém queimando as palmas e oliveiras bentas no ano precedente no Domingo de Ramos, são simbolo da morte e da caducidade das criaturas, (as quais o pecador se volta quando comete pecado): elas mesmas admoestam-no a voltar a Deus com penitência e humildade. Aos fiéis que as recebem com devoção, o sacramental da imposição das Cinzas obtêm a verdadeira compunção, o perdão dos pecados, a saúde da alma e do corpo, a vitoria sobre os espíritos malignos e, sobretudo, a graça de santificar a Quaresma.



Fonte: Missal Romano Quotidiano. Edições Paulinas. 1959.




A Fé



"- Que pedes à Igreja de Deus?
- A Fé!
- Que te alcança a Fé?
- A vida eterna!
- Se queres entrar na vida eterna, observa os mandamentos."
(Diálogo de introdução ao Batismo)¹


O que é a Fé?
A Fé é uma virtude sobrenatural pela qual, apoiados sobre a autoridade de Deus mesmo, atraídos e ajudados por Sua Graça, tomamos por absolutamente verdadeiro tudo o que Ele revelou. 

A Fé pressupõe então uma revelação divina? Sim, A fé é a resposta do homem à Revelação de Deus.

Como Deus se revelou aos homens? Deus falou aos homens por Moisés, pelos profetas e, sobretudo, pelo seu Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quais são as verdades que o homem conhece graças a Revelação Divina?
Graças à Revelação, o homem conhece os atributos de Deus e sua essência trinitária; conhece também sua própria destinação eterna: a visão de Deus no céu. A Revelação lhe mostra, enfim, o caminho a seguir pra chegar a este fim: a observância dos Mandamentos de Deus e a recepção dos Sacramentos, que são os meios de salvação instituídos por Deus.

Por que se diz que a Fé é sobrenatural?
As Verdades Reveladas por Deus, que são o objeto da Fé, ultrapassam a capacidade natural da nossa inteligencia. Então, não é possível, sem um socorro divino, que se chama Graça, aderir a ela.

Que motivo nos faz aderir às Verdades Reveladas por Deus?
O motivo da Fé é unicamente a Autoridade de Deus que Se revela. Cremos nas Verdades de Fé porque Deus as afirmou e não porque delas teríamos conhecimento por nós mesmos. Cremos, por exemplo, na Santíssima Trindade ou na Divindade de Jesus Cristo não porque teríamos descoberto essas Verdades por nossa inteligencia, mas porque Deus no-las revelou assim.

Como a Fé nos é comunicada?
Uma Fonte da Fé é a Sagrada Escritura, ou a Bíblia. Ela se divide em duas partes: O Antigo Testamento, que contém a Revelação de Deus ao povo judeu antes da vinda de Cristo; e o novo testamento, que transmite explicitamente a Revelação Cristã.


O Concílio de Trento ensina que a Fé é "uma virtude sobrenatural pela qual, atraídos e ajudados pela Graça de Deus, cremos verdadeiramente o que Ele nos revelou, não porque essas coisas, consideradas à luz natural da nossa razão, se imporiam por si mesmas como verdadeiras, mas por causa da autoridade de Deus mesmo, que nos revela e que não pode enganar-Se, nem nos enganar" (DS 3008).²


A Fé portanto procede de fonte externa (vem de Deus) e não provém do auto sentimento ou da imaginação do fiel, que sente uma experiencia maravilhosa e passa a acreditar de maneira "imaginária" na existencia de um Deus. 


¹Missal Romano Quotidiano. Edições Paulinas. 1959.
²Catecismo Católico da Crise na Igreja. Editora Permanência. Pe. Matthias Gaudron - FSSPX. Impresso em 08 de dezembro de 2011 por ocasião da Festa da Nossa Senhora da Conceição.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Preparação para Quaresma - Jejum e abstinência

Ciclo de Páscoa: Mistério da Redenção

2. Preparação próxima: Tempo da Quaresma

"Expiação do pecado da parte do homem"


          Na linguagem corrente, a Quaresma abrange os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até ao Sábado Santo. Contudo, a liturgia propriamente quaresmal começa com o primeiro Domingo da Quaresma e termina com o sábado antes do Domingo da Paixão.

          A Quaresma pode considerar-se no ano litúrgico, o tempo mais rico de ensinamentos. Lembra o retiro de Moisés, o longo jejum do profeta Elias e do Salvador. Foi Instituída como preparação o Mistério Pascal, que compreende a Paixão e Morte (Sexta-feira Santa), A Sepultura (Sábado Santo), e a Ressurreição de Jesus Cristo (Domingo e Oitava da Páscoa).

       Data dos tempos apostólicos - A Quaresma como sinônimo de jejum observado por devoção individual na Sexta-feira e Sábado Santos, e logo estendido a toda a Semana Santa. Na segunda metade do século II, a exemplo de outras igrejas, Roma introduziu a observância quaresmal em preparação para a Páscoa, limitando porém o Jejum a três semanas somente: a primeira e quarta da atual Quaresma e a Semana Santa. A verdadeira Quaresma com os quarenta dias de Jejum e abstinência de carne, data dos inícios do século IV, e acredita-se que para essa instituição, tenham influído o catecumenato e a disciplina de penitência pública.

       O jejum consistia originariamente numa única refeição tomada a tardinha; por volta do ano 1000 antecipou-se para as três horas da tarde e no século XV tornou-se uso comum o almoço ao meio-dia. Com o correr dos tempos, verificou-se que era demasiado penosa a espera de vinte e quatro horas; foi-se por isso introduzindo o uso de se tomar alguma coisa à tarde, e logo mais também pela manhã, costume que vigora ainda hoje. O jejum atual portanto, consiste em tomar uma só refeição diária completa na hora de costume: pela manhã, ao meio-dia ou à tarde, com duas refeições leves no restante do dia.

         A Igreja prescreve, além do jejum, também a abstinência de carne, que consiste em não comer carne ou derivados, n'alguns dias do ano, que variam conforme determinação dos Bispos locais; aliás, também os dias de jejum são fixados pelos bispos. No Brasil vigora a seguinte lei:

        São dias de jejum com abstinência de carne: Quarta-feira de cinzas; sexta-feira santa, sete de dezembro (a não ser que seja domingo); sexta-feira das Têmporas do Advento (em substituição da Vigília do Natal).

          São dias de abstinência de carne todas as sexta-feiras da Quaresma.

          A obrigação da abstinência começa na idade de 7 anos completos; e a do jejum vai dos 21 completos aos 60 anos começados. Nos dias de jejum com abstinência, estão obrigados a guardá-la ainda os que estiverem legitimamente escusados ou dispensados de jejum, como os menores de 21 anos e os maiores de 59.

        Pode-se comer peixe nos dias de abstinência pelo fato de o peixe simbolizar a Eucaristia, que é o alimento indispensável para a vida de nossa alma, e do qual não devemos nos privar.

          Comentário dogmático - "Todos pecamos, e todos precisamos fazer penitência", afirma São Paulo. A penitência é uma virtude sobrenatural intimamente ligada à virtude da Justiça, que "dá a cada um o que lhe pertence": de fato, a penitência tende a reparar os pecados que são ultrajes a Deus, e por isso dívidas contraídas com a justiça divina, que requer a devida reparação e resgate. Portanto, a penitencia inclina o pecador a detestar o pecado, a repará-lo dignamente e a evitá-lo no futuro.

          A obrigatoriedade da penitencia nasce de quatro motivos principais, a saber:

          1º - Do dever de justiça para com Deus, a quem devemos honra e glória, o que lhe negamos com nosso pecado.

         2º - da nossa incorporação com Cristo, o qual, inocente, expiou os nossos pecados: nós, culpados, devemos associar-nos a ele, no Sacrifício da Cruz, com generosidade e verdadeiro espirito de reparação.

      3º - Do Dever de caridade para com nós mesmos, que precisamos descontar as penas merecidas com nossos pecados e que devemos, com o sacrifício, esforçar-nos por dirigir para o bem as nossas inclinações, que tentam arrastar-nos para o mal.

          4º - Do dever de caridade para com nosso próximo, que sofreu o mau exemplo de nossos pecados, os quais, além disso, lhe impediram de receber, em maior escala, os benefícios espirituais da Comunhão dos Santos

          Vê-se daí quão útil para o pecador aproveitar o tempo da Quaresma para multiplicar suas boas obras , e assim dispor-se para a conversão.

Comentário ascético - Segundo os Santos Padres, a Quaresma é um período de renovação espiritual, de vida cristã mais intensa e de destruição do pecado, para uma ressurreição espiritual, que marque na Páscoa o reinicio de uma vida nova em Cristo ressuscitado.

          A Quaresma tem por escopo primordial, incitar-nos à oração, à instrução religiosa, aos sacrifícios e à caridade fraterna. Recomenda-se por isso a frequência as pregações quaresmais, a leitura espiritual diária, particularmente da Paixão de Cristo, no Evangelho ou noutro livro de meditação.

          O jejum e abstinência de carne se fazem para que nos lembremos de mortificar os nossos sentidos, orientando-os particularmente ao sincero arrependimento e emenda de nossos pecados.

          A caridade fraterna - base do Cristianismo - inclui esmola e todas as obras de misericórdia espirituais e corporais.

          Caráter litúrgico - Todos os dias da Quaresma e do Advento, e outros dias do ano, fazem-se as "Estações Litúrgicas". São funções especiais nas várias igrejas de Roma, para onde na Idade Média, o Papa se dirigia em procissão e aí fazia "estação", celebrando com a assistência de todos os sacerdotes das igrejas romanas. Os fiéis reuniam-se numa igreja próxima, chamada Collécta, nome que significa precisamente "lugar de reunião", à espera do Sumo Pontífice, que, ao chegar, rezava uma oração. A seguir, todos em procissão dirigiam-se para a igreja estacional, onde o Papa celebrava o Santo Sacrifício. Após a função, os sacerdotes, levando consigo uma partícula da hóstia consagrada pelo Papa, retornavam a suas igrejas. Celebravam então para os numerosos fiéis impossibilitados de participar da Missa estacional. E no vinho consagrado colocavam a referida partícula, que recebia o nome de fermento, por simbolizar e fomentar a unidade do Sacrífico Eucarístico e a união com o Papa. Hoje resta somente o nome das oitenta e duas estações, e a função solene nas igrejas estacionais, que somam apenas a quarenta e três, pois em várias delas repete-se a estação.

          Cada dia da Quaresma tem sua Missa própria. Os vários formulários, que datam da época das estações, foram compostos em vista de uma renovação espiritual dos fiéis e uma condigna preparação dos catecúmenos para o Batismo, que se lhes administrava no Sábado Santo. As leituras tem sempre relação com a vida dos santos das estações.

         Originariamente, a Quaresma excluía qualquer festa, devido a austeridade do tempo. Todavia, aos poucos foram admitidas não só as festas do Senhor, mas também as dos Santos. Pio X restabeleceu em parte a primitiva austeridade litúrgica, permitindo a celebração da Missa ferial em vez da Missa do Santo, exceto nas festas de primeira e segunda classe.

       Na Missa solene do Tempo, os ministros sagrados usavam a casula plicada, que o Subdiácono depõe para o canto da Epístola e que o Diácono substitui pelo estolão ao cantar o Evangelho, e daí até a comunhão. Tal cerimonia lembra o antigo costume de tirar a grande casula, que atrapalhava os ministros em função. Usou-se também, por uns tempos, dobrar a casula no ombro direito, e firmar-lhe as extremidades nas costas, do lado esquerdo, servindo-se para tanto de um cingulo. Isso, porém, tornava-se incomodo, alem de pouco estético. Foi o que levou a substituir a grande casula pelo estolão da mesma cor.

          A oração sobre o Povo, que na Quaresma se recita diariamente depois da Pós-Comunhão, é de origem antiquíssima. Era a benção que o sacerdote recitava com as mãos estendidas sobre o povo, antes de os despedir.

      Não aparecem, no Tempo Quaresmal, os símbolos da alegria: não se usam tunicelas, não há flores e o órgão silencia. Qual simbolo de penitencia, a cor dos paramentos é roxa.



Texto extraido do Missal Romano Quotidiano, edições Paulinas, 1959.





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