RELAÇÃO DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA COM OS MISTÉRIOS DOLOROSOS

   Mestre. — Com efeito, ao contemplarmos a oração de Jesus no horto das Oliveiras, ao pensarmos no seu suor de sangue, nossa mente relembra necessariamente o esforço que fez Jesus diante da repugnância sentida em beber o cálice amargo de sua Paixão; além disso recordamos também a profunda mágoa que sentiu ao ver-se sozinho, abandonado por todos até pelos apóstolos que há dois passos dormiam sossegadamente.
   E que faz Jesus Cristo em nossas igrejas? Sacrifica-se e oferece-se ao Eterno Pai. Por acaso, não sentirá também as mesmas repugnâncias do jardim das Oliveiras, devido aos maus tratos que continuamente recebe? Onde estão os seus amigos? Olha ao redor, não se vê nenhum. As ruas e praças regurgitam de gente; as igrejas estão vazias... Jesus está quase sempre sozinho. Até seus amigos mais íntimos, como outrora os apóstolos, muitas vezes não se preocupam com Ele. 
   No segundo mistério, quando contemplamos a flagelação de Jesus, sentimos o sangue gelar-se em nossas veias ante aquela aluvião de golpes dolorosos: Jesus, no entanto, não se cansa.
   É impossível calcular o número de profanações, sacrilégios e crimes que Jesus tem que aguentar na Eucaristia. E apesar de tudo Ele não se cansa e jamais se cansará desse martírio, pois que seu amor para conosco e até para os pecadores, é um amor infinito, eterno.
   Discípulo. — Como Jesus é bom!
 Mestre — Prostremo-nos de joelhos aos pés daquele sacrário-coluna a fim de sugarmos aquelas gotas de sangue, redentoras e purificadoras de nossos pecados.
   No terceiro mistério contemplamos a coroação de espinhos e vemos como se comportam aqueles que usam da mesma Eucaristia para ofender a Jesus Cristo. E não só os que se aproximam da mesa eucarística para recebê-Lo indignamente e dar-lhe o beijo traidor de Judas, mas também aqueles que profanam os domingos e festas com jogos, passatempos e ninharias.  Deles se queixa Nosso Senhor quando diz: "Fui obrigado a aborrecer-me de vossas festas: lançar-vos-ei em rosto o lodo destas festas, porque me haveis feito participar de vossos pecados".
   Discípulo. — Oh! Padre, quanta gente de nossos tempos deveria sentir a necessidade de reparar tão grande mal!
  Mestre. — No quarto mistério, enquanto contemplamos a viagem de Jesus para o Calvário, deveríamos pensar que também hoje em dia Jesus caminha pelas nossas ruas quando sai em procissão ou é levado a algum enfermo. Quem Ele encontra pelo caminho? Tímidos que para não saudá-lo mudam de direção. Encontra ingratos e covardes que se envergonham de saudá-lo ou de descobrir-se à sua passagem. E muitas vezes chega a encontrar até quem o despreza e insulta blasfemando contra o seu Santo Nome. 
  Discípulo. — Mas Ele encontra também almas varonis que com maior respeito o saúdam e acompanham.
   Mestre. — É fato. Mas são tão poucas...
   No  quinto  mistério  enquanto  contemplamos  a  crucifixão  e  morte  de  Jesus,  nosso pensamento voa para a Santa Missa. Sabemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz e é nela também que muitos cristãos parecem querer imitar perfeitamente os Judeus que presenciaram o martírio do Salvador.
   Discípulo. — E qual foi atitude dos Judeus no Calvário?
  Mestre. — Vejamos o que diz o Evangelho: uns olhavam com indiferença, como se se tratasse de um assunto que não lhes interessava; insensíveis diante daquele ser humano que agonizava. Esses representam os cristãos que vão à missa tanto por ir, sem nenhuma fé, e ficam satisfeitos quando mais ela é bem curta.
   Outros ao passar diante da cruz. blasfemavam, dirigiam-lhe insultos e motejos e O desprezavam: são aqueles que se comportam mal na Missa escandalizando pela postura e modo de vestir.
   Bem poucos eram os que estavam recolhidos, os que se comoviam e choravam ao pé da cruz. Somente Maria mãe de Jesus, e algumas piedosas mulheres se compadeceram dos sofrimentos de Jesus e aproveitaram seus últimos ensinamentos. Esses últimos representam os cristãos que assistem o mais que podem a Santa Missa, acompanham o sacerdote nas cerimônias da Missa, e no momento da Comunhão vão receber a Jesus repetindo com amorosa confiança: Consumatum est, tudo está acabado, estou satisfeito, sinto-me feliz.   

Fonte: Comugai Bem - Pe. Luiz Chiavarino


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