segunda-feira, 4 de julho de 2016

A IGREJA CATÓLICA É CAPITALISTA?

Deparei-me dias atrás com a afirmação de que a Igreja Católica é Capitalista!

Hoje em dia, se você disser que é capitalista ou que alguém acredita no sistema Capitalista é muito provável que o sujeito vá pegar um crucifixo, pular em cima de você e tentar expulsar o "coisa ruim" de dentro de você. Tipo no filme o Exorcista.


Como a ideia do blog aqui é buscar a Verdade, iniciei uma pesquisa desde então visando compreender se a Igreja é, de fato, Capitalista, socialista, comunista ou como podemos definir.

informamos que não temos compromisso com nenhuma entidade é que as afirmações aqui apresentadas são fruto de nosso desejo por encontrar a verdade. Ou como diria minha mãe, a "verdade verdadeira". 

Para entender se a igreja é capitalista, é necessário entender o que é o Capitalismo, portanto estudei os escritos do Sr. Ludwig Von Mises, porque ele apresenta um conceito claro e simples sobre o termo. 

O que seria então o sistema capitalista?

Pelo cenário descrito por Von Mises em seu livro "As seis lições" o capitalismo é o sistema onde o capital é aplicado em um processo produtivo (industrial ou não) de forma que possa se multiplicar e crescer.

Alguns sites e autores trazem uma visão mais "social" do sistema capitalismo, afirmando  que o objetivo do capitalismo é o lucro, por consequência, serve a óbvia dedução de que o que move o capitalista é a ganância. Mas não me parece ser o caso.


Nem todo capitalista é ganancioso, percebo que a maior parte dos capitalistas tem dentro de si o desejo de crescer e expandir seus negócios por meio do lucro, não somente pela ambição, embora aconteça com frequência, mas utilizando o lucro como meio para expandir seus negócios para aumentar o campo de atuação e atingir mais pessoas.

Por isso, concluo que a análise do Sr. Von Mises é mais adequada dada a neutralidade dela do sistema desenvolvido.

O Capitalismo é o sistema em que o capital é aplicado em um processo produtivo (industrial ou não) de forma que possa se multiplicar e crescer.


Poderia a Igreja ser capitalista?

Não, não poderia. O empreendimento no qual a Igreja se baseia é a Salvação das almas. Assim definido e expresso pelo Código do Direito Canônico: "A salvação das almas é a suprema lei da Igreja".

Para afirmar e aceitar que a Igreja é Capitalista, primeiro deveríamos entender quanto vale uma alma?

Certo de que o valor de uma alma é inestimável ou incalculável, como é possível tratar de maneira tão simplista o tema, simplesmente afirmando que a Igreja é Capitalista?

A Igreja trata de algo que não pode ser comprado ou pago, visto que não há dinheiro suficiente que seja capaz de pagá-lo.

O ponto é exatamente que o capitalismo é explicado pelo já referido Sr. Ludwig von Mises assim: 
"(...) O fato é que o cálculo econômico (...) só é possível quando existem preços em dinheiro, não só para bens de consumo, como para os fatores de produção. Isso significa que é preciso haver um mercado para todas as matérias-primas, todos os artigos semi-acabados,todos os instrumentos e máquinas, e todos os tipos de trabalho e de serviço humanos, (...)."
Se não existe mercado as coisas não tem preço, se não tem preço não é possível fazer calculo de preços. Se não é possível fazer calculo de preço não existe o capital e nem economia planificada.

Ora, sem conseguir dizer ou afirmar qual o valor de uma alma, visto se tratar de algo de valor inestimável, como é possível dizer que a Igreja é Capitalista?

Outro ponto complicado é a possibilidade de trocar a alma ou vende-las. Há quem diga que vendeu sua alma para o encardido. Mas nesse contexto, não é possível dizer ou criar um mercado de almas onde as pessoas trocam a sua atual por uma melhorzinha. Ou podem precifica-la como: A Alma desta pessoa vale R$ 10 mil, a alma daquele outro vale R$ 1 mil por que ele reza pouco. Não existe tal coisa e seria idiotice que alguém tentasse criá-la.


Porque então a Igreja cobra certas taxas por sacramentos realizados ao povo?

É comum, e até acho perigoso, que as paróquias comecem a cobrar para a realização de certos serviços como batismo, comunhão, crisma, casamento, retiros etc.
Neste ponto, algum curioso poderia inventar uma fórmula de calculo de preços e dizer que conseguiu chegar a um valor para a alma de uma pessoa. Vamos a alguns exemplo:

Taxa para Batismo: R$ 80,00
Taxa para Crisma: R$ 50,00
Taxa para 1ª Comunhão: R$ 40,00
Taxa para casamento: R$ 880,00.
Ao longo da vida, o católico deve-se submeter a 5 retiros. 1 para cada sacramento e 1 para certo retiro jovem que se tornou popular recentemente. Para tanto o sujeito vai investir em retiros cerca de R$ 900,00.

Sendo assim, considerando todas estas atividades relacionadas que criamos e para as quais determinamos um valor, podemos dizer que o sujeito investiu cerca de R$ 2.000,00 em sua alma. Então, se tivesse que vender sua alma esta seria em torno de R$ 4.000,00. Não nos esqueçamos do lucro, certo?!

Não se vê um pensamento mais besta e ridículo, graças a Deus que este tipo de devaneio só se faz presente dentro da mente deste que compõe este texto, mas o faço justamente para precaver e libertar alguém da estupidez de pensar tamanha sandice. 


Todavia, mesmo para os sacramentos acima como para os "retiros" tão desejados pelas pessoas atualmente, basta afirma que o beneficio recebido na alma de uma pessoa que recebeu um sacramento é incomensuravelmente e infinitamente maior do que o valor pago ao Padre e à Paróquia. 


Porém, está é uma afirmação que serve para ambos os lados, uma via de duplo acesso. Tanto o fiel católico que deseja receber o sacramento poderia se colocar a disposição para entregar qualquer valor sem ser pedido, visto a graça e o bem que receberá, quanto a Paróquia deveria abrir mão da "taxa" visto que não há valor algum no mundo que poderia pagar aquele sacramento.

Se o valor é tão incomensurável assim. porque no Brasil, existe a prática de se aplicar um valor para cada sacramento?

Não podemos justificar como as paróquias e dioceses chegaram no cálculo do valor para determinar quanto cada sacramento deve ser taxado para ser documentada. 
Sabemos que ao se tornar uma entidade multinacional a Igreja Católica tem convivido com um certo custo para manter em ordem os registros internos, livros, emissão de documentos, salários de secretaria, o sustento dos padres, bispos, casas, energia elétrica etc. 

O que deveria ficar claro para um fiel que deseja receber os sacramentos não é que existem custos para receber aquele sacramento, mas sim, que as rotinas administrativas exigem uma contribuição para a manutenção das Igrejas e das estruturas administrativas. 

Sinceramente, acredito que de ambos os lados deveria ter um sentimento maior pela salvação da alma e não por questões financeiras, me parece que se ambos observássemos esta finalidade, seriamos muito mais coerentes com nossos questionamentos. 
O mais importante seria preocupar-se sempre com a salvação das almas.

O que posso afirmar é que a graça de Deus chegou até mim de graça, sem qualquer custo, o bem que tenho recebido de Deus é infinitamente maior do que qualquer valor que eu poderia trazer em meu bolso ou conta bancária, e que já há algum tempo, deixei de me preocupar com questões financeiras quando olho para a Igreja de Cristo nosso Senhor. 

Venho esclarecer este assunto porque realmente me parece injusto com os conhecimentos que tenho de estruturas de mercado não intervir quando dizer que a Igreja Católica é Capitalista. Não é.

É possível demonstrar biblicamente se nosso Senhor Jesus Cristo era a favor ou contra o Capitalismo?

Existem muitas passagens bíblicas que descrevem como nosso Senhor Jesus Cristo se relacionava com o dinheiro (capital). Abaixo alguns exemplos:

1 - Os discípulos mantinham uma bolsa onde guardavam o dinheiro coletado em suas peregrinações. Pode-se observar em João 13,29 e também em João 12, 6.
Além de inúmeras passagens dos atos dos apóstolos onde explicita que existia um sistema de coleta financeira. 

Nosso Senhor Jesus Cristo convivia com aquela prática e não demonstrava repreender seus discípulos por aquilo, todavia não se apegava a coisa tão insignificante, o objetivo final de Nosso Senhor era fazer a vontade do Pai.

2 - Quando Jesus disse a Pedro que pagasse os impostos aos Romanos. Está em Mateus 17, 23-27.

Pode-se observar seguramente que nosso Senhor Jesus Cristo tinha respeito pelas regras estabelecidas por aqueles que governavam e também pelas pessoas, pediu a Pedro que pagasse para que elas não se escandalizassem.

3 - Em algumas parábolas Nosso Senhor também apresentou uma visão de um Patrão que entregava um dom a cada um de seus funcionários e esperava que eles os multiplicassem. (Mateus 25, 14-30). Esta seria uma das mais capitalistas parábolas para explicar a relação dos discípulos com os dons recebidos de Deus, se não estivesse falando não de algo de valor inestimável e incalculável. Como disse, Nosso Senhor não se prendia a estas discussões ou se apegava, justamente porque sabia o valor de cada coisa e sobretudo que nada daquilo representava um valor maior.

Se a Igreja não é Capitalista, então a Igreja é Socialista?

Não, de maneira nenhuma. A Igreja não pode ser considerada socialista, só mesmo na visão perturbada de um ou outro ideólogo comunista. 
O Padre Paulo Ricardo fez também um texto e um vídeo explicando este assunto, e sobretudo que a Igreja não se baseia por um conjunto de valores capitalistas ou socialistas. 

A Igreja possui seu próprio conjunto de valores e morais nos quais visa dar a melhor orientação a seu povo e contribuir com a salvação de suas almas.

Aqui está o link: https://padrepauloricardo.org/episodios/e-o-capitalismo

Especificamente, sobre o assunto do socialismo será abordado em outro texto, visto que ficaria impraticável colocar tudo em um texto só.


Conclui-se aqui, que a Igreja não pode ser capitalista visto tratar de almas e não de troca de valores.
Estes valores são inestimáveis logo, não podem ser comprados, trocados ou permutados. 

Por questões praticas a Igreja usa de mecanismos de mercado para sua administração e organização, todavia este não deve, nunca ser o objetivo final de sua obra na terra. São apenas instrumentos que são utilizados por sua praticidade e as vezes conveniência. 

A suprema lei da Igreja é a Salvação das almas e esta é em ultima instancia sua missão na Terra.


Salve Maria!



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