A quem devemos imitar? - Parte 4 - Final

Oitava dificuldade:
João Paulo II colaborou com a descristianização dos Estados, fomentando sua separação da Igreja e considerando o laicismo como um ideal. Renunciou a condenar o comunismo.

– Os fatos: Em 18 de fevereiro de 1984, ele aprovou a nova Concordata entre o Vaticano e a República Italiana, em que desaparece o caráter sagrado de Roma e “se considera que já não está em vigor o princípio (…) segundo o qual a religião católica é a única religião do Estado italiano“. Pareceu-lhe nesse momento que esse novo acordo era uma “inspiração ideal” portadora “de bem moral” e de “progresso civil“.(35) Visitou ou tomou contato com países com Espanha, Itália, Índia, Polônia, União Soviética, Coreia e China, nos quais reinava o comunismo ou o socialismo sem condená-lo. Só promoveu a democracia universal e a liberdade religiosa.(36)

– Os santos e papas anteriores: A necessidade do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo foi constantemente afirmada pelos papas ao longo da história. Foi recordada especialmente por Pio XI.(37) Fomentando tal Reinado, Santo Ambrósio (+397, Doutor da Igreja) fez declarar ao imperador Valentiniano II que os imperadores tinham de estar às ordens de Deus, assim como os cidadãos tinham de estar às ordens do imperador como soldados. São Porfírio (+420, Bispo) escreveu a São João Crisóstomo (+407, Doutor da Igreja) para pedir-lhe que convencesse o Imperador a ordenar a destruição dos templos pagãos. São Bernardo (+1153, Doutor da Igreja) percorreu a Europa para reformar a Cristandade e para que o Evangelho fosse a lei universal dos Estados. São Remígio (+533, Bispo) fez todo o possível para que Clóvis deixasse o paganismo e logo apoiasse o cristianismo em seu reino. São Luís (+1270, Rei da França), São Ladislau (+1095, Rei da Hungria), Santo Eduardo (+1066, Rei da Inglaterra) e todos os santos reis promoveram o mais que puderam a religião católica. Esforçaram-se por fazê-la a religião do Estado quando ainda não fosse.

Também poderíamos comentar a dessacralização do culto, as cerimônias de arrependimento pelas obras da Santa Inquisição, o novo Direito Canônico de 1983 que permite dar a comunhão aos hereges, o apoio incondicional a teólogos modernistas como Lubac ou Theillard de Chardin… O pontificado do recém-beato apresenta numerosas dificuldades se o comparamos com os exemplos e ensinamentos dos santos e papas anteriores.

Conclusão:
O Evangelho de Jesus ou o “evangelho distinto” do ecumenismo
Está claro que a beatificação de João Paulo II apresenta um grave problema de consciência para qualquer católico. Estamos diante de um dilema. A quem devemos imitar? O recém-beatificado, ou aos outros santos? A resposta nos dará São Paulo (Gl 1,8): “Ainda que nós ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho distinto do que vos anunciamos, seja anátema”. Ora, chegados ao final desse artigo, podemos dizer que na época atual esse “evangelho distinto”, de origem maçônica e liberal, tem nome e sobrenome: chama-se ecumenismo.

Em nome do ecumenismo João Paulo II silenciou o Evangelho de Jesus Cristo, calou que “Cristo é a própria Verdade” (1João 5,5) e que “nenhum outro nome nos foi dado sob o céu, entre os homens, pelo qual possamos ser salvos” (Atos 4,11-12).

Nós católicos não podemos aceitar essa nova doutrina, segundo a qual a mediação de Jesus, “Caminho, Verdade e Vida” (João 14,6), não é necessária para a salvação. Quem nos pregar esse “evangelho distinto”, ainda que seja “um anjo do céu” ou a maior autoridade na Igreja, não pode receber nosso assentimento. Por esse motivo não nos alegramos pela beatificação de João Paulo II nem podemos considerá-lo um modelo de vida cristã. Preferimos seguir o Evangelho de Jesus Cristo e aos santos que o pregaram, recordando as palavras de São Paulo: “nunca quis saber de coisa alguma senão de Jesus Cristo, e este crucificado” (1Cor 2,2); “Ele é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1João 5,21).

Fonte: Padre Jean-Michel Gomis, F.S.S.P.X

Disse Jesus Cristo: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada" (João 14,23)

NOTAS:
(35) Citado pela Revista “Sí Sí No No” de julho-outubro de 2007, págs. 32-33.
(36) Cfr. “Pedro, ¿me amas?”, Editorial Fundação São Pio X (1989), págs. 86-92.

(37) Encíclica “Quas primas” de 11 de dezembro de 1925.

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