A quem devemos imitar? - Parte 2

Terceira dificuldade:
Por sua pastoral ecumenista, João Paulo II renunciou a converter os ortodoxos cismáticos. Deixou-os pensar que podiam salvar-se no cisma.

– Os fatos: Em 16 de junho de 1981, por causa do atentado de 13 de maio, João Paulo II ainda estava internado. Por isso convidou o metropolita Damaskinos, ortodoxo não católico, para que falasse em seu lugar na basílica de São Pedro do Vaticano. Para agradar aos ortodoxos também rezou várias vezes o Credo sem dizer o “Filioque”,(12) fórmula rechaçada por eles. Em junho de 1993, publicou-se a Declaração da Comissão mista para o diálogo entre a Igreja Católica e a igreja ortodoxa, na qual se reconheciam as comunidades ortodoxas não católicas como autênticas igrejas legítimas, lamentava-se o zelo das igrejas católicas uniatas pela conversão dos que permaneciam ainda fora da Igreja católica, e se proibia no futuro o proselitismo, ou seja, a busca da conversão dos ortodoxos não católicos. Em 2004, para fomentar a união, entregou as relíquias de São Gregório Nazianzeno e São João Crisóstomo, conservadas no Vaticano, ao Patriarca Bartolomeu I.

– Os santos e papas anteriores: Os Santos Doutores nunca deixaram que os hereges ou cismáticos pregassem em suas igrejas, mas os condenaram e preveniram seus fiéis contra as falsas doutrinas deles. Por isso o Papa São Leão IX anatematizou Miguel Cerulário,(13) que causou o cisma do Oriente. Por isso o Papa Gregório XIII prescreveu solenemente aos gregos católicos que se rezasse o “Filioque” na profissão de fé, porquanto expressa a verdade católica sobre a processão do Espírito Santo, o Qual procede do Pai e do Filho. Depois da ruptura, convencidos de que o Senhor edificou Sua Igreja sobre Pedro (Mateus 16,18) e só sobre ele, os Santos buscaram com afã a conversão dos cismáticos. São Pedro Tomás (+1366, Bispo) trabalhou ardentemente para conseguir a conversão do Imperador de Constantinopla, João Paleólogo. Na Polônia, São Josafá (+1623, Bispo) dedicou sua vida a buscar as ovelhas perdidas e morreu mártir nas mãos dos cismáticos.

Quarta dificuldade:
João Paulo II manifestou admiração pelo Islã. Não buscou a conversão dos muçulmanos, mas os confortou em suas crenças e princípios morais errôneos.

– Os fatos: Em 19 de maio de 1985, afirmou que “cristãos e muçulmanos nos encontramos na fé no Deus único, nosso criador, nosso guia, nosso juiz clemente e misericordioso. Todos nos esforçamos para por em prática, em nossa vida cotidiana, a vontade de Deus, seguindo os ensinamentos de nossos respectivos livros sagrados”, seja a Bíblia, para os católicos, seja o Corão, para os muçulmanos. No transcurso do ano de 1994, pediu ao prefeito de Roma que cedesse gratuitamente um terreno para a construção de uma mesquita.(14) E para mostrar o apreço e o respeito que tinha pelo Islã, em 14 de maio de 1999 beijou publicamente o Corão. Foi também o primeiro Papa a entrar numa mesquita, em 6 de maio de 2001.(15)

– Os santos e papas anteriores: Recordemos que no Corão se leem afirmações como estas: “Certamente foram infiéis os que disseram: Alá é o Messias, filho de Maria“; “os infiéis não são senão impureza e imundice; que não se aproximam da mesquita“; “combatereis contra eles (os infiéis) ou eles se converterão ao Islã” (16). “No tocante à moral, dizia Santo Afonso de Ligório, o Corão permite roubar como cada um quiser; permite ter tantas mulheres quantas se possa alimentar, divorciar como se queira (…), ordena a guerra e a vingança (…), manda matar a quem não adere à sua fé. O Corão pede que se tenha comunicação com os demônios, para adivinhar por meio de feitiços e sortilégios“.(17) Ademais, o livro fundamental do Islã promete aos muçulmanos um paraíso de amor carnal, fundado sobre o vício.

Na história da Cristandade, os Papas exortaram o poder temporal a que combatesse e rechaçasse os assaltos islâmicos; e para comemorar cada vitória instituíam uma nova festa litúrgica. Assim o Papa Calisto III (+1458), pelo triunfo que deteve os islâmicos perto de Belgrado em 1456, estendeu à Igreja inteira a festa da Transfiguração (6 de agosto). Para recordar a vitória de Lepanto, São Pio V (+ 1572) instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário (7 de outubro), e em 1683 o Beato Inocêncio XI (+ 1689) estendeu a toda a Igreja a festa do Santo Nome de Maria (12 de setembro), em razão da vitória obtida contra os turcos por João Sobieski (+ 1696, Rei da Polônia) em Viena.
Santo Eulógio de Córdoba (+ 859, mártir) dedicou sua vida a proteger seu rebanho da infidelidade maometana. Muitos de seus fiéis morreram mártires, e ele mesmo foi decapitado depois de ter tratado de converter o juiz muçulmano que o condenava.

Santo Aventino (+ 813, mártir), depois de ter arriscado sua vida durante anos para exercer seu ministério em terras ocupadas pelos muçulmanos, foi finalmente torturado e degolado por eles.
Santo Emiliano (+ 725, Bispo), recordando o exemplo dos Macabeus, convidou seus fiéis a tomar as armas contra o perigo muçulmano. Morreu no combate, alentando seus filhos: “não temais uma morte que leva à vida”.
São Francisco de Assis (+ 1226, Fundador dos franciscanos) visitou o sultão Al-Kamel para pregar-lhe a conversão ao Evangelho. Do mesmo modo, o Padre Charles de Foucauld (+ 1916, eremita de notória santidade) dedicou sua existência à conversão dos muçulmanos do Saara.

Quinta dificuldade:
Aproximou-se dos judeus sem chamá-los à conversão, deixando-os pensar que crer em Cristo é facultativo e que o Antigo Testamento continue vigente.

– Os fatos: Seguindo o espírito do Concílio Vaticano II,(18) afirmou que “os filhos de Israel são nossos ‘irmãos maiores'”,(19) que têm “a fé no único, inefável Deus que nos interpela” e que “a Antiga Aliança nunca foi rechaçada por Deus”.(20) Em 13 de abril de 1986, em Roma, foi o primeiro Papa a visitar uma sinagoga, e para não incomodar os seus hóspedes retirou do peito o crucifixo. Para mostrar que estavam em pé de igualdade, prepararam-se duas cadeias idênticas para ele e para o grão-rabino, e tiveram o mesmo tempo para falar. Aí disse ele que “a religião judaica é intrínseca à nossa religião (…); sois nossos irmãos preferidos e, de certo modo, poder-se-ia dizer, nossos irmãos mais velhos (…); estamos dispostos a aprofundar o diálogo em lealdade e amizade, no respeito das convicções íntimas de uns e de outros”.(21)
Em 26 de março de 2000 foi a Jerusalém e pediu perdão aos judeus pelos males que sofreram durante 2000 anos por causa dos cristãos. Com esse mesmo fim, introduziu uma mensagem em um dos interstícios das pedras do Muro das Lamentações, que é o lugar mais sagrado do judaísmo contemporâneo. Várias vezes recebeu no Vaticano os representantes da religião mosaica, e sua atitude favorável ao judaísmo lhe mereceu numerosos reconhecimentos por parte dos filhos de Israel.

– Os santos e papas anteriores: Como manifestam as promessas divinas feitas a Abraão, Isaac e Jacó,(22) o povo hebreu foi eleito por Deus com o fim de preparar a vinda do Messias. Por essa razão Santo Tomás (+ 1274, Doutor da Igreja) afirmava que “o fim do Antigo Testamento é o Novo Testamento” (23) e que “o estado da antiga lei foi instituído para figurar o mistério de Cristo”.(24)
Nosso Senhor Jesus Cristo veio dar cumprimento e completar a lei mosaica, de tal modo que a Antiga Aliança foi revogada e cedeu lugar a uma nova Aliança, mais perfeita e eterna, que o Filho de Deus selou com Seu Sangue sobre a Cruz: “isto é o Meu Sangue, o Sangue do Novo Testamento, que será derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mateus 26,28). Portanto, não se pode dizer que o Antigo Testamento tenha continuado vigente depois da vinda de Cristo. Afirmá-lo seria negar que Jesus seja o Messias.

Por outro lado, o Senhor afirmou claramente a absoluta necessidade da fé n’Ele para alcançar a vida eterna: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14,6); “Eu sou a porta; aquele que por mim entra se salvará e entrará e sairá e achará pastagem” (João 10,9); “Quem crê n’Ele (Jesus) não é condenado; mas aquele que não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho Unigênito de Deus” (João 3,18).
Seguindo as mesmas palavras do Salvador, os Santos sempre ensinaram a necessidade absoluta da fé no Verbo encarnado para agradar a Deus e salvar-se. São João Batista dizia: “O Pai ama o Filho e pôs todas as coisas em Sua mão. Aquele que crê no Filho de Deus tem a vida eterna; mas quem não crê no Filho não verá a vida, mas, ao contrário, a ira de Deus permanece sempre sobre sua cabeça” (João 3,35-36). São João escrevia que “Cristo é a própria verdade” (1João 5,5); “a lei foi dada por Moisés; mas a graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo” (João 1,17), de tal maneira que todo aquele que rechaça a Jesus está necessariamente no erro e não pode acender a Deus: “Quem é o mentiroso senão o que nega que Jesus é o Cristo? Eis o Anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Qualquer um que nega o Filho não tem o Pai; quem confessa o Filho possui também o Pai” (1João 2,22-23).

Por isso os Santos sempre convidaram os judeus a reconhecer a Jesus como Messias e a converter-se. Assim o primeiro Papa, São Pedro, dizia no dia de Pentecostes: “Convença-se, pois, toda a casa de Israel de que Deus constituiu Senhor e Cristo a esse mesmo Jesus que vós crucificastes (…). Fazei penitência e seja batizado cada um de vós no nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2,36.38).
Em outra oportunidade afirmava novamente que “Ele (Jesus) é a pedra rejeitada por vós, os construtores, que se tornou pedra angular. Em nenhum outro há saudação, pois nenhum outro nome foi dado sob o céu, entre os homens, pelo qual possamos ser salvos” (Atos 4,11-12).
Santo Estêvão (século I, primeiro mártir) foi apedrejado porque pregava a conversão aos judeus e afirmava que via a “Jesus de pé à direita de Deus” (Atos 7,55). São Paulo passou sua vida pregando e demonstrando que “Jesus é o Messias” (Atos 9,22), afirmando incansavelmente que “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus” (II Timóteo 2,5).

NOTAS:
(12) Pelo menos com o Patriarca Dimítrios I em 7 de dezembro de 1987, com o Patriarca Bartolomeu I em junho de 1995, e com o Patriarca Teoctiste em 13 de outubro de 2002.
(13) Carta de 2 de setembro de 1054.
(14) Zênite (versão francesa) de 28 de abril de 2011.
(15) Precisamente na Mesquita dos Omíadas, em Damasco. É considerado o quarto lugar mais sagrado do Islã.
(16) Citado por “Pierre, m’aimes-tu?”, Daniel Le Roux, Edições Fideliter (1988), pág. 120.
(17) Santo Afonso, “A verdade da fé”, Cap. 1º.
(18) Cfr. “Nostra Aetate”.
(19) “Cruzando os umbrais da esperança” (1994).
(20) Discurso em Mogúncia de 17 de novembro de 1980.
(21) “L’Osservatore Romano” de 14-15 de abril de 1986, citado por “Si Si No No”, pág. 34.
(22) Cfr. O livro do Gênesis.
(23) Santo Tomás, “Comentário sobre o Salmo 39”, começo.
(24) “Suma teológica”, 1a 2ae, c.102, a.4.

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