A quem devemos imitar? - Parte 1

A quem devemos imitar? (João Paulo II vs. Os santos)
DIFICULDADES RELATIVAS À BEATIFICAÇÃO DE JOÃO PAULO II. 

Mas em realidade não somos nós que emitimos um juízo, senão 2000 anos de vida e de ensino da Igreja; é o próprio Evangelho pregado por Nosso Senhor Jesus Cristo; são os santos, com suas obras e doutrina. Quando a vida de uma pessoa, seus ensinos e ações coincidirem com a de Nosso Senhor e de santos, sabemos que podemos seguir com tranquilidade seu exemplo para alcançar a vida eterna. Desse modo falava São Paulo aos Coríntios (1Cor 11,1): “Sede imitadores meus como sou de Cristo“. Ao invés, se encontramos uma contradição entre a vida de tal pessoa e a dos Santos, não podemos imitá-la, pois seu exemplo nos afasta do caminho do céu.

Que pensa da vida de João Paulo II? Coincidiu com o Evangelho e o exemplo dos santos? Podemos seguir seus passados com tranquilidade?
Sem esquecer a gravidade do assunto e conservando o respeito devido à dignidade pontifícia, trataremos de responder à pergunta expondo as graves dificuldades suscitadas pelo pontificado do recente beato e os fatos que as fundamentam. De modo paralelo recordaremos os ensinos e práticas correlativas dos santos e papas anteriores. Dessa forma saberemos se verdadeiramente podemos imitar o novo beato para alcançarmos a vida eterna.

Primeira dificuldade:
Em nome do ecumenismo, João Paulo II renunciou a converter as almas à fé católica. Afirmou que todas as religiões são caminho de salvação. Desse modo deixou milhares de almas no caminho da perdição.

– Os fatos: “Desde o começo de meu pontificado, fiz do ecumenismo a prioridade de minha preocupação e ação pastoral” (1), dizia João Paulo II. Nessa pastoral o guiaram os ensinamentos do Concílio Vaticano II: “Embora creiamos que as igrejas e comunidades separadas tenham seus defeitos, não estão desprovidas de sentido e de valor no mistério da salvação, porque o Espírito de Cristo não Se recusa a servir-se delas como meios de salvação”.(2) Por isso disse que “a Igreja deseja estabelecer relações positivas e construtivas com grupos humanos de credos diferentes, com vistas a um enriquecimento recíproco”.(3) O Cardeal Kasper, que ele em 2001 nomeou como Presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, disse que “a ação pastoral da Igreja católica tanto latim quanto oriental já não tende a fazer passar os fiéis de uma Igreja para outra”;(4) “o ecumenismo não se faz renunciando à nossa própria tradição de fé. Nenhuma Igreja pode fazer essa renúncia”.(5) E acrescentava ainda mais: “Podemos descrever o ‘ethos’ [regra de conduta] próprio do ecumenismo de vida da seguinte maneira: a renúncia a toda forma de proselitismo, seja aberto, seja camuflado”.(6) Seguindo esses princípios, é verdade que João Paulo II nunca chamou à conversão os que pertenciam a outras religiões.

– Os santos e papas anteriores: Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. O que crer e for batizado será salvo; mas o que não crer será condenado” (Marcos 16,15-16). São João Batista dizia que “o que crê no Filho tem a vida eterna; o que recusa crer no Filho não verá a vida, mas está sobre ele a cólera de Deus” (João 3,36). O Papa Pio IX, retomando a Tradição da Igreja, dizia que “bem conhecido é (…) o dogma católico, a saber, que ninguém pode salvar-se fora da Igreja Católica”.(7) Pondo em prática essas palavras, os Apóstolos e os Santos missionários como São Paulo (+ 67, Apóstolo), São Patrício (+464, Bispo), São Bonifácio (754, Bispo), São Francisco Xavier (+ 1552, Sacerdote), foram pregar a conversão ao Evangelho ao mundo inteiro. Também os santos apologistas, como São Justino (+168, filósofo), São Cirilo de Jerusalém (+ 386, Doutor da Igreja), Santo Hilário (+ 368, Doutor da Igreja), publicaram abundantes escritos para mostrar a verdade da Igreja católica e a falsidade das outras religiões.

Segunda dificuldade:
Por sua pastoral ecumenista, João Paulo II confirmou os protestantes em seu erro. Não condenou as heresias de Lutero, mas buscou conciliar com elas a doutrina católica.

 – Os fatos: No curso de uma de suas viagens à Alemanha, passando por Frankfurt, disse: “Hoje venho a vós, à herança espiritual de Martinho Lutero, venho como um peregrino”.(8) Por ocasião do 500º aniversário do reformador, escreveu ao Cardeal Willebrands que sobre a base das mais recentes investigações históricas “se revelou de maneira convincente o profundo espírito religioso de Lutero, animado de uma paixão ardente pela questão da salvação eterna”.(9) Seguindo os princípios do ecumenismo e levado por seu apreço por Lutero, em 11 de dezembro de 1983 foi rezar no templo protestante luterano de Roma, pelo qual se despojou de todo sinal externo que manifestasse a autoridade pontifícia. Escutou a leitura desde o púlpito de uma oração de Lutero, que ele mesmo escolhera antes de ir. Em 31 de outubro de 1999 se publicou a Declaração conjunta sobre a justificação, na qual, com vistas ao ecumenismo, puseram-se entre parênteses os dogmas católicos negados pelos protestantes e se retomaram várias afirmações de Lutero.

– Os santos e papas anteriores: Em primeiro lugar, recordemos que os erros luteranos foram condenados solenemente pelo Papa Leão X (10) e pelo Concílio de Trento. Ademais, Lutero traiu seus votos monásticos e suas promessas sacerdotais. Induziu a monja cisterciense Catarina de Bora a violar seus votos para unir-se com ele em concubinato sacrílego. Destruiu a fé católica, a unidade política e a paz de meia Europa. Animava-o um espírito de orgulho tão grande que escreveu libelos tais como “O Papa asno”, expressando, além do mais, toda a sua obscena vulgaridade nas Tischreden (Conversas à Mesa). Santo Afonso (+ 1787, Doutor da Igreja) dizia que a doutrina de Lutero era em realidade a “doutrina do diabo”.(11) Por isso São Roberto Belarmino (+ 1621, Doutor da Igreja) e São Francisco de Sales (+1622, Doutor da Igreja) dedicaram anos de sua vida a refutar a doutrina de Lutero e a converter os protestantes. São Fidel de Sigmaringa (+1662, Capuchinho) pôs sua vida em perigo com o fim de pregar a conversão aos protestantes. De fato, seu zelo lhe custou a vida: morreu martirizado na Suíça pelos protestantes.

NOTAS:
(1) Discurso na cerimônia de boas vindas no aeroporto «Fornebu» de Oslo, Noruega, de 1º de junho de 1989.
(2) Unitatis Redintegratio, nº3 d), retomado por João Paulo II na Exortação Catechesi tradendae de 16 de outubro de 1979, nº 32.
(3) “L’Osservatore Romano” de 6 de fevereiro de 1993, citado pela Revista Sí Sí No No de julho-outubro de 2007, p. 41.
(4) Declaração da Comissão mista para o diálogo entre a Igreja Católica e a igreja ortodoxa, 23 de junho de 1993, nº 2 e 22.
(5) “L’Osservatore Romano” de 4 de fevereiro de 2000.
(6) Walter Kasper, L’engagement oecuménique de l’Eglise Catholique, conferência de 23 de março de 2002 à Assembleia Geral da “Fédération protestante de France”, em Oecuménisme informations nº 325, de maio de 2002 e nº 326 de junho de 2002.
(7) Encíclica “Quanto confiamur moerore” de 10 de agosto de 1863.
(8) Documentation catholique de 21 de dezembro de 1980.
(9) Documentation catholique de 4 de dezembro de 1983.
(10) Bula “Exsurge Domine” de 15 de junho de 1520.
(11) Santo Afonso, A verdade da fé, cap. 3.

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