Ele está no meio de nós - Oitava Parte

Preocupado com a forma como as coisas haviam acontecido, Padre Manfred decidiu que deveria contar a alguém tudo o que estava acontecendo. Se preocupava com o fato de o garoto não poder ir para a casa, se preocupava com o que podia falar a seu respeito e sobretudo se preocupava pois não conseguia compreender exatamente o que acontecia com o garoto. As palavras que ele pronunciava demonstravam grande maturidade apesar de ter tão pouca idade.

Absolvido por estes pensamentos, o Sacerdote se assustou quando o velho telefone começou a tocar na pequena cozinha acoplada a Igreja. Assustado, ele correu para atender. 
Ele tentou se acalmar, respondeu da maneira mais calma que pôde para não demonstrar seu nervosismo. 
Era a polícia. Padre Manfred recordou-se que havia pedido alguns favores para tentar encontrar a familia do garoto, mas a voz no telefone lhe dizia que o garoto não era conhecido na região. Nem em um raio de 200 km, que foi o resultado da pesquisa em toda a região.

- Como é possivel que um garoto apareça no meio de um temporal vindo de lugar algum? - Perguntou ele ao policial.
- Na verdade, não posso lhe responder isso. Tudo o que sei é que ninguém reclamou ou registrou uma queixa de desaparecimento. Sendo assim, não podemos determinar quem seriam os responsáveis por ele. - respondeu o policial.
- Seria possivel que vocês tentassem procurar os registros de nascimento de uma criança de 9 para 10 anos de idade, que se chama Miguel, acredito que possamos encontrar algumas opções, não sei, estou tentando pensar... - falou o Padre perdendo as esperanças.

- Padre, nos conhecemos há muito tempo, sabe que faremos todo o possível para ajudar, mas não penso que seja tão facil assim de resolver. E ai como estão indo as coisas? - Perguntou o policial mudando o tom da voz. 

- Vamos bem, as vezes me surpreendo com ele. As vezes tenho a impressão de que ele foi enviado pelo céu para me ensinar algo. Ele é só uma criança e as vezes demonstra um conhecimento tão grande sobre alguns assuntos que me assusta. - disse o Sacerdote.

- Essas crianças estão cada vez mais espertas Padre. - Disse o policial com uma voz zombeteira. 

- Imagino que sim... - respondeu o Padre, meio sem convicção. 

- Bem preciso desligar, vou tentar encontrar mais alguma informação. - informou o homem do outro lado da linha. - Sua benção Padre?

- Deus te abençoe, obrigado pela ajuda. - encerrou a conversa colocando o telefone no gancho.

Ao desligar se assustou novamente ao notar que Miguel estava atrás dele ouvindo tudo. 

- Meu Deus menino, porque não avisa que está chegando?! Me assustou. - Exclamou o Padre.

- O Senhor anda muito assustado para que é sempre tão proximo de Deus. Não acredita que ele está te ajudando ? - Perguntou o garoto.

- Do que você está falando? É só um susto normal. - Disfarçou para não concordar com as afirmações do garoto.

- Não entendo porque vocês fazem isso. Tem alguma coisa para comer? - perguntou o garoto sacudindo os ombros.

- Vamos preparar uma sopa para comer com pão antes de dormir, vamos fazer uma oração e dormiremos pois amanhã teremos um longo dia pela frente. - informou o Padre.

- Sabe? Gosto de ficar aqui dentro. É um lugar muito protetor, aqueles bichos feios não podem se aproximar de mim e é muito calmo aqui. Realmente é um lugar muito bom para eu ficar. - O garoto manisfestava agora, uma satisfação incomum desde que tinha chegado.

Padre Manfred começava a pensar que teria de resolver de uma vez por todas a situação do garoto, informar a Cúria Diocesana, informar a policia, procurar em hospitais ou onde quer que seja. Enquanto pensava nas ações a realizar, iniciou a preparação da sopa. 

- Amanha, preciso sair e vou deixa-lo na casa de alguns amigos. - Falou rapidamente.

Neste momento o garoto esbugalhou os olhos de preocupação e começou a encher os olhos de lagrima.

- Não se preocupe Miguel, eles são uma boa família que vão cuidar de você, nada vai lhe acontecer, e assim que eu chegar vou buscá-lo para participar da missa. - tentou consola-lo o Padre Manfred.

- Posso ficar com o terço? - perguntou o garoto.

- Claro que sim. - Ele achou engraçada a inocência do garoto mas afirmou prontamente. 

- Acho que posso ficar lá um pouco. - Disse o garoto.

Algum tempo depois, a sopa estava pronta, e eles se preparariam para jantar. 
Sentaram-se à mesa, o Padre Manfred fez algumas orações de agradecimento, fez o sinal da cruz, instrui que o garoto fizesse o mesmo e então começaram a comer.

Para Miguel aqueles eram os melhores momentos, quando as mãos do Padre começavam a se iluminar com a presença de uma luz forte, seu coração se enchia de luz, ao fim da oração a sala estava repleta de presenças celestes por todo lugar, para acompanhar a refeição deles. Eram sempre boas refeições na presença dos anjos!

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