Ele está no meio de nós - Quinta Parte

Minutos depois, o Padre e o médico saíram de dentro da sala do consultório.
O médico veio em direção ao garoto e o convidou para entrar na sala. 
O garoto, não disse uma palavra sequer, foi para dentro da sala, ainda com o rosário nas mãos.
Dentro da sala, o médico iniciou a falar com o garoto em tom informal. 
- Olá Miguel, tudo bem? O Padre Manfred pediu que eu falasse com você para tentar ajudar o seu caso. - Disse o Dr. Marcelo.
Infelizmente, era em vão.
O Doutor pediu ao garoto que se sentasse na mesa e que agisse conforme ele dissesse.
Foi um exame fisico de rotina. O médico pediu que ele assoprasse, ouviu o coração, sentiu o pulso, olhou pelo corpo do garoto para ver se tinha algum sinal de agressão, ferimento ou de pancada. Não encontrou nada.
O Doutor começou a fazer algumas perguntas, as mesmas que o Padre ja havia feito. Igualmente, em vão.
O consultório do médico era muito simples, possuía uma escrivaninha, um telefone e alguns papeis sobre a escrivaninha, um computador não muito moderno, uma cama para fazer as consultas, uma balança, duas cadeiras em frente da mesa, e na parede um lindo quadro do Sagrado Coração de Jesus. No alto da porta, um crucifixo de uns 30 centímetros que o Miguel olhava fixamente. 
O Doutor notou a fixação do garoto e resolveu iniciar a perguntar sobre a imagem da pessoa na madeira.
- Você sabe quem é essa pessoa Miguel? - perguntou ele de maneira tranquila. 
- Sei. - Falou fixamente.
- E quem é esta pessoa? - Quis saber o médico.
- Chame o moço que me trouxe que eu conto. - Disse Miguel, agora demonstrando uma serenidade muito grande.
- Porque você gostaria que eu trouxesse o Padre agora, Miguel? - Questionou o Doutor. 
-  Você entenderá! - Respondeu ele com os olhos fixos, quase sem expressão.
O Médico usou o telefone para pedir a secretária que deixasse o Padre entrar. 
Alguns segundos depois, o Padre entrou, sem entender, se sentou.
- Então Miguel, poderia me dizer agora, quem é a pessoa presa na Madeira?
Miguel se calou um pouco, ficou muito quieto, pensou, fechou os olhos e então disse:
- Eu era muito jovem, tinha aproximadamente 4 anos quando tudo aconteceu, foi horrível. Meus pais estavam em casa, todos estávamos juntos, era uma vida muito difícil, todos passávamos muita dificuldade, o mal estava todo tempo dentro da minha casa, ele vivia me rondando, me agredindo. Meus pais me chamavam de doido, diziam que eu nasci maluco, eles viviam dizendo isso para mim. Desde que nasci, todos dizem que eu sou louco, quando não dizem pensam. 
O problema é que eu sempre tenho passado agonia, aflição, tristezas e neste dia não foi diferente. 
O mau entrou na minha casa, eu me lembro como se fosse hoje, e levou meu pai e minha mãe para sempre. Eles nunca se preveniram quanto o mal, eles usavam coisas ruins, meu pai batia na minha mãe as vezes, naquele dia, o mal decidiu que ia me destruir de uma vez por todas, mas eles pegaram meus pais. 
- Do que você está falando Miguel? - Perguntou o Padre. O que o homem da madeira tem a ver com isso?
- O homem da madeira estava na minha casa naquele dia, ele estava lá e viu tudo. - Falou Miguel muito sério.
- Foi ele quem fez o mal à sua familia? - O médico arriscou uma pergunta.
Miguel sorriu, pela primeira vez seus olhos brilharam com uma especie de revolta.
- O mal entrou na minha casa, matou minha familia, o homem que está na madeira estava ao meu lado e me protegeu contra o mal. Foi ele quem me mandou ter esse nome, e foi ele quem me mandou falar para vocês o que aconteceu.  - Explicou o menino, cuidadosamente. - Ele disse que, da próxima vez que o Senhor quiser me testar, é melhor que seja mais esperto, ele disse que eu sou muito esperto e que é uma vergonha que o Doutor não tenha entendido ainda o que aconteceu. 
- Do que você está falando Miguel? - Perguntou o Padre. - Você está vendo o homem da madeira aqui? - Médico e Padre se olhavam incrédulos. 
- Não o vejo todo o tempo, só quando ele permite que eu o veja. - Falou o menino.
- E como é o nome do homem da madeira Miguel? - Perguntou o médico agora.
- O Homem da Cruz, não desrespeite ele que ele fica muito triste. O Homem da Cruz, não sei seu nome. Mas sei que ele estava ao meu lado quando meus pais morreram anos atras e desde então ele tinha me protegido até que não consigo mais sentir que ele está perto de mim. Há alguns dias Ele sumiu e agora eu tenho ficado com medo o tempo todo, pois sem a presença dele eu não sei o que fazer. - Finalizou o garoto.

Padre Manfred e o Doutor Marcelo ficaram assustados com as declarações do garoto. 

- Dadas as circunstancias Padre, acredito que não há muito o que especular, devemos fazer alguns exames para assegurar que ele não possui nenhuma lesão, todavia, me parece algo que excede minha profissão, tratando-se de algo que está muito mais a seu alcance. - Informou o Doutor ao Padre em tom extremamente profissional. - Vou preparar algumas guias de exames para que possa se assegurar, de toda forma, acredito que não tem muito o que eu possa fazer.

- Tem mais uma coisa que eu preciso dizer. - Falou Miguel em tom muito sério. - O Homem da Cruz disse que vocês fariam exames em mim e que nem a tomografia que o Senhor vai pedir vai apresentar qualquer problema, era para eu falar disso para que vocês possam acreditar em mim.
Nesse momento o Doutor ficou boquiaberto com o que o garoto havia acabado de dizer.
- Podem me explicar uma coisa? - Perguntou o garoto. 
- Sim. - Falou o doutor. 
- O que é uma tomografia? - Falou ele com o tom tipico de criança.
Ambos se olharam, medico e Padre, sem acreditar.





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