Orações em Línguas e o dom falar de Línguas


Em uma espécie de debate que participamos outro dia, a respeito do assunto "Orações em Línguas" ou mesmo o "Dom de falar em Línguas", percebemos que o assunto ainda causa em algumas pessoas, estranheza e constrangimento.

Temos observado e percebido três fenômenos distintos que talvez confundam as pessoas ou, que no mínimo, interpretam como a mesma coisa e isso causa confusão. 

Por meio de uma leitura atenta da Palavra e dos fenômenos da Igreja, percebe-se que existem:
 
·        Dom de falar em outras Línguas;
·        Oração em Línguas diversas; e
·        A compreensão das Orações e falas em Línguas;


1)     O Dom de Falar em Línguas

A maior parte das pessoas atribui que, o fenômeno ocorrido e, relatado por Lucas no Capitulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos, estão associados a oração em Línguas. Eu também já pensei isso, mas percebi, depois, com o tempo, por meio de uma leitura mais atenta que, não era exatamente correto o que eu havia compreendido.


1.Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2.De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.3.Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.4.Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”

Aqui, grifamos duas expressões de fundamental importância para compreender o texto acima.

O mais importante aqui é compreender que um fenômeno ocorreu com os apóstolos por meio das Línguas de fogo e que esse fenômeno gerou uma ação, eles começaram a falar em línguas. No texto, não diz que eles falaram línguas estranhas, nem que ficaram se chacoalhando como se tivessem com problemas, diz que “Começaram a falar em línguas”.

Do nosso ponto de vista o mais interessante acontece depois, a surpresa de pessoas que falavam idiomas diversos, e estas começaram a ouvir em sua própria língua materna:


“5.Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. 6.Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7.Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? 8.Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?”

Aqui, acreditamos que as línguas faladas pelos discípulos de Jesus, não era de uma linguagem de confusão ou de anulação da sabedoria humana, mas uma linguagem de elevação do conhecimento e de busca de universalização das verdades que os discípulos estavam tentando conduzir.

E o texto deixa claro que “(...) são todos galileus (...)” como é possível que nós possamos ouvir a eles falarem em nossa língua materna.
Conforme definido pelo Padre Paulo Ricardo de Azevedo, o que ocorreu aqui não foi uma confusão de línguas mas “uma Babel ao contrário” levando a convergência da linguagem ao invés da língua embaralhada.

O ponto aqui, claro é que o que se falou nessa passagem bíblica foi uma língua compreendida e compreensível, clara, e reconhecida por outras pessoas que sabiam de sua existência.

Um fenômeno muito parecido com esse é narrado no livro The Boy who Met Jesus escrito pela  IMMACULEE ILIBAGIZA, o garoto Emmanuel Segatashya aprende falar dialetos africanos extremamente complexos e diferentes de sua língua mãe, em períodos curtíssimos, até que chega ao ponto de dominar e falar e passar a mensagem de Cristo em cada região da África que ele foi no idioma materno.

O milagre aqui está que, os estudos de Bilinguismo demonstram que para uma pessoa atingir fluência em um idioma, uma pessoa deve ter uma exposição de 1000 horas no mínimo, e mais que isso, que essa pessoa deve se empenhar para aprender e desenvolver. O jovem Segatashya passou de um analfabeto para orador em múltiplos idiomas africanos. Muito semelhante ao que ocorreu com os Apóstolos de Cristo.

Concluímos então, que a ação do Espirito Santo no Capitulo 2 de Atos dos Apóstolos nos leva a uma compreensão maior, muito mais do que a uma língua de confusão.

Esse processo é muito parecido com aprender outro idioma, exceto que, pela ação do Espirito Santo, nosso conhecimento é acelerado muito mais do que por estudos regulares. Vimos o que aconteceu com os Apóstolos e vimos o que aconteceu com o jovem Segatashya.

Outro ponto, é que é claro aqui que quem fala sobre a ação do Espirito Santo, fala para o outro, fala buscando a compreensão do seu próximo, e este que fala, tem a intenção de que os outros entendam.


2)     Orações em Línguas

No que diz respeito a orações em línguas ou glossolalia, algumas pessoas também chamam de a Língua dos Anjos, acreditamos que o Espirito Santo age em nós de uma forma tão profunda que não nos resta outra opção a não ser nos render a graça de d’Ele e render a Deus um louvor tão profundo e verdadeiro que saíra como um som ou ruído inefável, inexprimível ou incompreensível.

O embasamento para esse argumento se encontra no livro de Romanos, Capitulo 8, versículos 26-27.

“26 Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. 27 E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus.”



Nota-se claramente, que o fenômeno e orar em línguas estranhas ou desconhecidas, era comum durante a igreja primitiva pois o São Paulo se refere a ela em outras ocasiões.
Veja a passagem na Primeira Carta aos Coríntios, Capitulo 14, Versículos 1 até 5.

“1 Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.3 Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.4 O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação.”

Acreditamos com isso que, São Paulo observou o fenômeno das orações em Linguas e que entendeu que quem ora em língua “(...) edifica-se a si mesmo (...)”. Nesta carta, São Paulo está muito mais preocupado com a forma como o orar em línguas é colocado e ele tenta instruir que as pessoas Profetizem muito mais, visando o bem comum, do que orem em línguas, entendendo ele que a oração em línguas é uma edificação pessoal.

Na carta a comunidade de Roma ele diz que o Espírito de Deus vem nos ajudar a nos aproximar de Deus. Mas, o entendimento de São Paulo é que a oração em línguas é muito mais pessoal e a pessoa que ora, fala com Deus e não para o próximo.

O que deve ficar claro aqui, é que a oração em Línguas é uma oração particular, sem sentido.

Certa vez, estava com uns amigos em um retiro, aproximadamente 30 mil pessoas estavam presentes. No meio de uma oração da manha, uma jovem soltou a voz e calou a todos com um canto em línguas muito alto, para quem esteve presente era claro que aquela jovem falava a Deus, mas era mais claro ainda que, pouquíssimas pessoas entenderam do que eles conversavam, inclusive eu. Fiquei marcado por aquele dialogo da Jovem com o Santíssimo Deus, mas fiquei curioso para saber qual era o assunto.

No contexto da Carta de Coríntios é possível notar em São Paulo um tom de desaprovação pelas orações em línguas de maneira desenfreada e sem qualquer sentido aparente.

Quando eu comecei a participar dos encontros da renovação Carismática, me pareceu claro que não havia ali um senso de obrigatoriedade ou senso mesmo coletivo, mas sim, um fortalecimento espiritual.

A “moça” que conduzia o encontro na época, dizia que dos Dom Carismáticos, este era o menor mas que serviria de porta de entrada para todos os outros.

Algumas condições eram necessárias para que a pessoa pudesse orar em línguas pelo Espirito Santo, e não era passar no teste do “trava-línguas”, era sim, necessário que a pessoa fosse batizada na Igreja Católica e depois receber o que era chamado de o Batismo no Espirito.


3)     A Compreensão das Línguas e das Orações em Línguas estranhas

Demonstra-se claramente que, a Bíblia trata de dois assuntos diversos quanto ao que chama-se Oração em Línguas e Falar em Línguas.

O complexo aqui, no final das contas é o do que está se falando.

Enquanto no primeiro tópico aqui exposto, o Falar em línguas busca a compreensão de todas as pessoas, a oração em língua não demonstra esta preocupação.

O complicado na oração em línguas, pela vivencia e pelo que todos tem experimentado é que, dificilmente se encontra alguém que  compreenda e que as interprete e por conseguinte que se interpretou, que essa interpretação seja crível. E, acreditar e provar que a interpretação é correta, neste momento, parece que se torna matéria de fé, ou acredita ou não acredita.

Como a oração em línguas, segundo São Paulo, é para uma edificação pessoal e de si próprio, e as profecias seriam mais eficiente na edificação do Grupo, assume-se então que ambos continuarão correndo em vias distintas.

O Padre Paulo Ricardo cita em seu vídeo no youtube dois episódios a cerca do fenômeno das orações em línguas:

a)  O Caso do Frei Francisco que emitia sons semelhantes ao barulho produzido por um pombo e quando questionado sobre isso, ele disse que não sabia o que era mas sentia próximo de Deus cada vez que o fazia.

b)  O Segundo Caso, foram as Lagrimas de Santa Teresa,

Conclusão:

A oração em língua é seguramente um fenômeno que ocorreu na Igreja primitiva em alguns grupos que pertenceram à Igreja. São Paulo definiu que eram orações muito mais voltadas para a edificação própria do que para a edificação da comunidade.

O Falar línguas distintas presente no livro de Atos dos Apóstolos, refere-se muito mais a possibilidade de se falar para outros grupos e que estes compreendam o que está sendo dito.

Quando me perguntaram se eu pessoalmente, oro em línguas, eu disse: Quando estou com os Carismáticos eu oro, quando não estou, não vejo necessidade!
Vejo nesse pensamento, a ideia de que não posso escandalizar as pessoas com quem convivo, mas não tenho embasamento suficiente para negar que o fenômeno ocorre. 



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