Ele está no meio de nós - Quarta Parte!



Em direção ao hospital, o Padre Manfred reconheceu que, no mínimo, a cena era divertida. O garoto estava como fixado em tudo o que acontecia ao redor e frequentemente levantada o terço para se proteger de algum mal imaginário. De fato, o garoto estava se comportando de maneira muito estranha. No carro, ele não conversava e dava a impressão de que estava tentando se proteger todo tempo. 

Depois de alguns minutos eles embarcaram na autoestrada, o veículo aumentou a velocidade e aos poucos parecia que Miguel estava se acalmando. 

Padre Manfred tentou iniciar um dialogo, agora que as coisas pareciam mais calmas. 

- Miguel, o que exatamente estava acontecendo com você? - tentou perguntar da maneira mais simples possível.

- Eles estavam nos perseguindo senhor. Graças a este rosário que o senhor me entregou, agora estamos muito protegidos contra as investidas do mal.

O Padre tentou meditar um pouco sobre as palavras do garoto, buscando uma forma de fazemos entender que, não é exatamente o rosário que protegeu eles, mas que no fundo não havia mal algum. Mudando de assunto, o Padre decidiu que explicaria ao menino o que eles iriam fazer durante o dia.

- Pois bem Miguel, nós vamos ver uns amigos meus durante o dia hoje, e depois vou levar você ao Distrito Policial para verificar se alguém está procurando por você, assim, quando seus pais vierem procurá-lo, a policia poderá pedir a eles que venham diretamente até mim. Por enquanto, faremos assim, depois veremos o que podemos fazer. - Padre Manfred, tentou com isso, diminuir o máximo possível os detalhes de quem, ou com quem eles falariam durante o dia.

- O senhor ainda está tentando se livrar de mim? - Perguntou de maneira objetiva e direta, neste momento, Padre sentiu que estava conversando com uma pessoa muito mais velha do que o garoto realmente era.

- Porque você fala assim, Miguel? Não se trata disso! Apenas estou buscando uma forma de encontrar sua família e ajudá-lo. - O Padre foi muito claro.

- Minha família morreu! É inútil que você procure por eles. Eles se foram! - O garoto falou com uma frieza na voz como se não sentisse nenhuma dor em afirmar isso.

- O que você está dizendo Miguel?! Não fale desse jeito, nós vamos encontra-los. - O Padre acelerou o carro e chegou ao limite da rodovia em que estava, agora, queria mais do que tudo chegar ao logo ao consultório médico onde poderia solicitar exames no garoto, talvez ele tenha batido a cabeça ou mesmo ter sido atingido por um galho ou objeto durante a tempestade.


- Estou falando o que você quer saber. Meus pais morreram anos atras e desde então eu vivo só. - Insistiu o garoto e depois se calou.


- Miguel, vamos mudar de assunto, acredito que você só esteja assustado. - O Padre Manfred não acreditava que um garoto de 9 anos poderia viver sozinho no mundo, sem auxilio dos seus pais. - Alguma vez você já foi para a escola? - Continuou o Padre, mas não houve resposta, Miguel havia parado de responder. 


O Padre ainda tentou algumas interações mas era totalmente inútil, o garoto havia se fechado.


Ao chegar ao local do consultório, a cena bizarra se repetia, de forma que Miguel ficava se chacoalhando todo apontando por todos os lados o rosário que o Padre deu a ele. 

O Padre tentou ajudar, mas Miguel estava se debatendo muito como se realmente estivesse lutando contra o mal. 

Ao entrarem no consultório, Padre Manfred se apresentou à recepcionista e disse que, gostaria de conversar um pouco com Dr. Marcelo, antes de ele poder ver o garoto.


A recepcionista avisou ao Doutor pelo telefone e imediatamente ele pediu que o Padre entrasse. 


Miguel ficou do lado de fora, sentado, todo encolhido, apontado o rosário para todos os lados, como um doido.


A recepcionista, olhava para ele com espanto.


Nota Importante: Este texto é uma história de ficção e qualquer associação ou semelhança com a realidade é mera coincidência. 

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