Ele está no meio de nós - Segunda Parte!

Padre Manfred não podia compreender o que aquele garoto tentava transmitir a ele, sobretudo o Padre tentava pensar como fazer para levar o garoto de volta para casa. Decidiu que ia questionar o garoto sobre os pais, assim, tão logo a tempestade passasse ele poderia voltar para sua vida. Pobre Padre, não podia compreender a grandeza do que estava por vir.
- Filho, me diga onde você mora e qual o nome dos seus pais? – Perguntou buscando encorajar o garoto a falar.
- Eu não me lembro muito bem. – O menino parecia meio confuso com as perguntas.
O Padre agora começava a ficar preocupado, pois imaginava que o menino poderia ter batido a cabeça e sofrido uma concussão.
- Você se machucou durante a chuva? – Perguntou o Padre com a voz mais serena possível.
- Não Senhor, eu não me machuquei, estou bem. – Respondeu prontamente desta vez.
- Ok!  E como você chegou aqui no meio da chuva? – Padre Manfred se animou com a resposta anterior.
- Eu vinha caminhando no meio da chuva, já fazia muito tempo, quando cheguei aqui perto senti uma coisa estranha e, acho que adormeci, pois não me lembro de mais nada. – Miguel falou como se estivesse voltando a ficar confuso.
- Mas você se lembra de ter batido aqui na porta da Igreja, certo!? – afirmou o padre em tom de pergunta.
- Não bati na porta da Igreja, eu vinha pela rua e acabei adormecendo, não me lembro de ter tocado a porta. – Respondeu o menino, desta vez não parecia nada confuso.
- Bem, posso jurar que ouvi alguém batendo à porta e mais ainda, provavelmente era o vento e por coincidência eu vi você deitado no chão. – O Padre tentou encontrar uma solução racional para o caso e ficou satisfeito com a solução, ao menos por enquanto. – Mas tente me falar da sua família, assim posso ajudá-lo.
- Eu não sei falar de nada disso, o senhor me desculpe, eu não consigo entender. – Respondeu o menino tentando justificar a própria confusão.
- Como é possível? Você frequenta qual escola? Imagino que seja você more aqui pelas redondezas... – O Sacerdote deixou agora as palavras no ar para ver se o garoto o responderia ou continuaria o que ele falou.
- O que é uma escola? – O garoto foi muito direto na pergunta.
- Agora, vai me dizer que nunca foi a uma escola. Você deve ter em torno do que uns nove anos de idade?! Já deveria ter frequentado muito a escola. Acho que você bateu com a cabeça e não está se lembrando. Isso pode ser um grande problema, vamos precisar encontrar um medico. – Afirmou o Padre preocupado.
- Não sei o que dizer senhor. – Falou o garoto ficando cada vez mais triste.
- Bem, você deve estar com fome, vou preparar alguma coisa para nós, depois vamos tentar encontrar um lugar para você dormir. – Agora o Padre falava e procura coisas no armário da pequena cozinha.
Enquanto prepara um caldo de feijão e alguns pães para comerem, o Padre ficou remoendo o que faria com aquele garoto caso ele não se lembrasse da família dele e não conseguisse devolve-lo em curto período de tempo. Mentalmente Padre Manfred foi listando todos os passos que deveria seguir para que pudesse cuidar do assunto e posteriormente seguir sua vida. Ele pensava que deveria procurar a policia e explicar tudo o que aconteceu, em seguida deveria encontrar uma casa para o menino ficar e ele tentar de alguma maneira descobrir se o garoto frequentou alguma escola da região para assim encontrar seus pais. Seriamente preocupado com aquele novo problema que surgiu diante dele o bom sacerdote praticamente se esqueceu da presença do garoto, absolvido por seus pensamentos práticos e envolvido no preparo da refeição, deixou escapar alguns grunhidos de lamentação. Neste momento o garoto perguntou a ele:
- Porque o Senhor quer me mandar embora para longe? – A pergunta do garoto caiu praticamente como uma bomba no meio dos pensamentos do Padre que reagiu instantaneamente com sinais de defesa e buscando dizer ao garoto que não era nada do que ele estava pensando.
- Mas porque você está pensando uma coisa dessas? Quem disse a você que eu quero mandar a você para longe? – No inicio a voz do Padre estava ansiosa e rápida e depois ele tentou controlar e falar de maneira mais branda.  – Eu preciso seguir uma série de procedimentos, seus pais devem estar preocupados com você e provavelmente eles devem ir a policia procurar por você em breve, desta forma eu devo notificar as autoridades e tentar de tudo para entregar você o mais rápido possível para seus pais.
- O que o senhor fala é diferente do que o que o senhor pensa. – afirmou o garoto, nenhum pouco convencido.
- Porque você está dizendo isso? Como você pode afirmar essas coisas. – Padre Manfred sentiu-se ofendido com as afirmações do garoto.
- Não sei muito bem mas o Senhor tem uma luz ao seu redor, eu tinha a impressão que o senhor queria que eu ficasse longe e a todo tempo o senhor tentava me mandar para longe, agora que perguntei, a sua luz se apagou muito e uns pontos vermelhos apareceram perto do senhor. Não gosto destes pontos vermelhos nem da falta da luz, elas me dão medo, o senhor por favor trazer a luz de volta? – O menino pedia com um tom de súplica.
- Miguel. – Iniciou o Padre, agora abrindo sinceramente o coração. – Nós precisamos encontrar sua família e mandar você de volta, eles devem estar muito preocupados com você. E devemos o mais rápido possível encontrar um médico para você, para que possamos ver se tem algo errado com sua cabeça, não é normal não se lembrar das coisas assim. E se não conseguirmos resolver a questão da sua família, eu preciso realmente pensar o que vai ser pois eu não posso manter você aqui dentro desta Igreja, isto não é ambiente para se criar uma criança. – Desta vez o Padre estava sendo sincero.
- Aqui dentro da Igreja eu estou seguro daqueles bichos feios que vejo na janela. Não quero sair daqui. – respondeu o menino, agora seu rosto estava mais feliz.
O Padre pensou consigo: “De novo esse papo de bichos na janela, ele deve ter tido algum trauma grande quando criança ou a pancada na cabeça foi muito forte, e essa agora de não querer sair da Igreja? Era só o que me faltava!” – mas o Padre não expressou esse ou aquele pensamento de forma verbal, estes pensamentos ele guardou exclusivamente para si.
Tentando mudar o animo do garoto o Padre resolveu abordar outro assunto: - Me diga Miguel, você é batizado?
- O que é ser batizado senhor? – O garoto perguntou como se nunca tivesse ouvido falar disso.
- Bem, pode ser que você seja e não se lembre, o batismo é o momento em que a pessoa é apresentada a Deus e ela recebe uma marca de sua filiação divina, a pessoa passa a ser filha de Deus. – o Padre apresentou a explicação com um tom catequético buscando simplificar ao máximo os termos para a compreensão da criança.
- Nunca ouvi falar nisso, alias muito do que o senhor me diz eu não consigo entender. – falou o garoto mostrando toda sinceridade.
- Bem, devemos descobrir e se você não for batizado, vamos tentar conseguir uns padrinhos para você. – Neste momento, a caldo de feijão já estava pronto ele serviu os pratos, colocou os pães sobre a mesa, e fez a oração antes da refeição dizendo: - Senhor, nós te consagramos este alimento que estamos para nos alimentar, te agradecemos por tua dadiva divina e pedimos que nunca nos falte o pão nesta mesa ou em qualquer mesa neste mundo, amém.
Instantaneamente, o garoto juntou as mãozinhas e fechou os olhos e contemplou enquanto o Padre rezava, quando o padre encerrou a oração ele disse:
- isso é muito lindo não é verdade?! –afirmou o garoto não exatamente explicando do que ele estava falando.
- O que é lindo? – Perguntou o Padre curioso.
- No momento em que rezamos para nos alimentar, Deus apresenta a nós seu sorriso mais feliz e envia seus anjos para ficarem ao nosso lado. – respondeu o menino parecendo um pregador carismático.
- Você tem razão. Amém Miguel, Amém! – Ele respondeu com o coração reconfortado.
Choveu pesadamente por toda a noite, os raios castigaram a cidade durante a madrugada. O Padre preparou um sofá para que o garoto dormisse, e se ajeitou na cama, fez suas orações, pediu a Deus força para continuar seus trabalhos de evangelização e coragem para vencer as dificuldades e dormiu. Não tinha ideia de tudo o que estava por vir.


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