Ele está no meio de Nós!



Em uma tarde de terça-feira, o Padre Manfred estava preocupado com a grande ventania, as nuvens negras no céu eram prenúncio de uma tempestade que aproximaria. Não passava das duas horas da tarde, mas parecia que já era noite. Carregando seu rosário de madeira nas mãos, Padre Manfred fechou as portas e janelas da pequena Igreja de São Vicente, se voltou para continuar suas orações e aguardar a tempestade desabar sobre a cidade.
Padre Manfred não estava com medo da chuva que estava anunciando, seu temor era a ventania que poderia levar todo o telhado da Igreja. Ele, a menos de um ano havia se tornado Pároco e muito pouco pôde fazer melhorá-la. Era uma época muito difícil, as pessoas não aceitam os ensinamentos de fé e parece que muitas outras opções são mais atraentes aos, então chamados, católicos da cidade. Nesta situação, muito pouco podia ser feito senão rezar a Deus para que a força do Espirito Santo pairasse sobre a cidade e fizesse com que as pessoas se voltassem a tradição e raízes católicas, compreendendo que só assim elas obteriam a salvação.
- Que Deus possa me ajudar pela força do seu Santo Espirito. – Disse olhando para a Cruz o Padre.
Fechado dentro da Igreja, fazendo suas orações em seu quarto e ouvindo agora a chuva cair e o barulho das goteiras por conta da água que passava pelos buracos no telhado, o jovem Padre tentava agora se concentrar em suas orações sem pensar no tanto de trabalho que teria para arrumar toda a bagunça que a chuva causara.
Toca o sino da Igreja, são 15 horas. – A hora da Misericórdia! – Exclamou consigo mesmo o Padre Manfred,pensou mais uma vez na morte de Jesus, relembrando aquele momento de agonia na Cruz. Era muito religioso o Padre e tinha uma fé muito profunda. Inclinado continuava suas orações e um barulho estranho em meio a tantos outros começa a incomodá-lo. O Padre tenta não se distrair mas o barulho começa a ficar cada vez mais alto e rítmico, parece que alguém esta chamando e batendo a porta.
- Talvez seja o vento, quem viria a Igreja em um dia com tanta chuva? – Perguntou a si mesmo, talvez perguntando também para Deus. O Padre já estava desanimando daquela região  e imaginando que havia deveria ser transferido para outro lugar, no ultimo domingo, vieram a sua celebração umas poucas pessoas, todas Senhoras, e os dois jovens que vieram com suas avós permaneceram o tempo todo fora da Igreja como se fossem queimar ao passar pela porta. Estava sendo realmente um chamado muito difícil.
O barulho continuava, e ele então deixou as orações de lado e saiu de seu pequeno quarto tentado ouvir de onde vinha o som. Depois de procurar, não havia mais duvida, era de fato uma pessoa batendo à porta do lado de fora e chamando praticamente à chorar. O Padre se apressou, ficou preocupado com a pessoa, talvez precisasse de ajuda ou estivesse em perigo, abriu a porta e não viu ninguém. Procurou, procurou e não achou ninguém, quando olhou para baixo, há alguns metros da porta da Igreja,podia ver com muita dificuldade uma pessoa deitada no chão no meio da rua.Chovia muito e era difícil de identificar do que se tratava. O Padre correu nomeio da chuva, se aproximou da pessoa e viu que se tratava de uma criança.
Ele se apressou, pegou a criança nos braços e levou para dentro da Igreja. Examinou a criança enquanto rezava para que ela estivesse com vida.
- Está vivo, Graças a Deus! –Agradeceu a Deus com essas palavras, enquanto procurava uma toalha e roupas para a criança, era um menino e estava muito gelado.
Ficou um pouco preocupado, pois não tinha roupas que servissem àquele garoto, e também dispunha de poucos recursos para cuidar dele ali. Tentou fazer o melhor que pode com o pouco que tinha. Secou o garoto, cuidou dele, trocou suas roupas e fez um chá quente para si mesmo e para o garoto quando acordasse.
Instalou na cozinha um velho sofá que tinha para que o garoto pudesse ficar quente, voltou a ficar preocupado e verificou se o garoto estava com febre, concluiu que não.
Tomou seu chá enquanto aguardava o garoto, adormeceu assistindo o garoto dormir e se assustou no cochilo quando o garoto despertou assustado perguntando onde estava.
- Está tudo bem, você está na cozinha da Igreja, eu sou o Padre Manfred, você bateu na porta a cerca de uma hora mais ou menos e eu retirei você da chuva. Troquei suas roupas por essas que você está usando e fiz um pouco de chá. Beba, você vai ficar melhor. Como é seu nome? – perguntou o Padre tentando saber mais do garoto.
- Miguel. Tenho muito medo! – Foia única coisa que o garoto falou.
- Não precisa ficar com medo,Miguel, “Quem como Deus?”, depois vamos conversar e ver como podemos fazer para você voltar para casa, mas a chuva precisa passar primeiro. Não precisa ficar com medo de mim.
- Não tenho medo de você, tenho medo dos pesadelos que tenho. Vejo muitas coisas. – Disse o menino bebendo o chá aos poucos.
- Pesadelos são apenas pensamentos ruins e imagens que passam pela nossa cabeça, aos poucos se desfazem e vão embora. – disse o Padre.
- Tenho pesadelos o tempo todo Padre, vejo coisas muito ruins. – Disse o garoto para o Padre.
O Padre começou a imagina que o garoto não era muito normal, dadas todas as circunstancias que o garoto aparecera, no meio da chuva e agora com esse papo de ver coisas ruins. Ele tentou apenas acalmar o garoto e pensou que devia descobrir quem eram seus pais para então liberar ele para ir para casa. De toda forma ainda chovia muito  e não poderia fazer muito agora.
- E como são esses “pesadelos”que você tem Miguel, que tipo de coisas você sonha? – perguntou o Padre meio incrédulo.
- São como monstros Padre, eles ficam me rondando tentando fazer mal, e vejo eles em outras pessoas também.Tentando prejudicar elas. – Afirmou o garoto com os olhos fixos na Janela.
- E você os vê agora aqui comigo?– Perguntou o Padre tentando testar o garoto.
O garoto muito sereno, olhou ao redor e fez que não com a cabeça. O Padre então disse: - Viu só, pesadelos são apenas sonhos ruins que temos, Não precisa se preocupar. – Afirmou novamente o Padre.
- Mas eu posso vê-los neste momento na Janela Padre e eles estão tentando entrar aqui. – Falou o garoto dessa vez olhando fixamente para os olhos do Padre.
O Padre fez um sinal da Cruz e repetiu baixinho: Valei-nos nossa Senhora e são Miguel Arcanjo!
Nesse momento o garoto sorriu.




Nota Importante: Este texto é uma história de ficção e qualquer associação ou semelhança com a realidade é mera coincidência. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

[...] não deixes por isso de abraçar estreitamente sua santa cruz. - São Padre Pio de Pietrelcina.

Dos Mandamentos que se referem a Deus - Do segundo Mandamento da Lei de Deus | CATECISMO SÃO PIO X

CATECISMO DE SÃO PIO X | Sacramentos - Penitência _ parte I

Perguntas 12ª Artigo do CREDO | Creio na Vida Eterna, amém. | Catecismo de São Pio X

A Crisma - Introdução