Teologia do Corpo - Christopher West - Parte 3 Final



A Teologia do Corpo - Papa João Paulo II

Christopher West

A procura pelo Amor Perfeito

Estão destinados a participar na eterna comunhão. A eterna comunhão de amor encontrada na Trindade. Sabem daquela dor profunda que sentem no coração, por alguma coisa? Aquele forte desejo que vos compele a fazer tudo o que fazem?
Pelo que você procura? Estão a procura de amor. Do Amor perfeito. E este amor perfeito só é encontrado na Trindade. E este amor perfeito da Trindade foi revelado, foi tornado claro, foi tornado visível. Como?

O Verbo se fez Carne. Os nossos corpos também.

Até antes da Encarnação, os nossos corpos na verdadeira ordem da criação tornam visível o mistério invisível de Deus. Os nossos corpos como machos e fêmeas, revelam esta eterna comunhão de eterno amor e também revelam o nosso destino para tomar parte nessa eterna comunhão de amor. Como é isto?

As escrituras usam muitas imagens para nos ajudar a compreender o amor de Deus por nós. Temos o Pastor e a Ovelha, temos a videira e os ramos, até temos a galinha e os pintinhos, temos a relação filial pai / filho, temos o rei e o seu reino, e no entanto, que imagem usam as escrituras muito mais do que as outras, para nos ajudar a compreender o amor de Deus por nós?
Pode dizer mais alto Padre?

O AMOR NUPCIAL!


A união de homem e mulher numa só carne. Esta imagem é muito mais usada do que as outras, nas Escrituras, para nos ajudar a compreender o amor de Deus por nós.
Pensem nisso: A Biblia começa no Gênesis com a criação do homem e da mulher e no seu chamado para se tornar uma carne.
Pule para o final da historia, para o livro do Apocalipse descreve o céu, como? Como um casamento eterno. O casamento de Adão e Eva no livro do Genesis é preenchido no casamento do novo Adão e da nova Eva: Cristo e sua igreja, no livro do Apocalipse. E o que o Papa nos ajuda a compreender através da Teologia do Corpo é que podemos olhar para estas duas extremidades das Escrituras como uma chave para interpretar tudo o que está no meio.
O plano eterno de Deus, se quiserem, empregando está imagem, é casar conosco.

O profeta Oseias diz ‘desposar-me-ei contigo para sempre.’ De fato, ao longo do Antigo Testamento Deus fala do seu amor, do amor que tem pelo seu povo, como o amor de um noivo pela sua noiva. No Novo Testamento, o amor do Noivo eterno pela sua noiva é literalmente incorporado quando a palavra se fez Carne. E Deus queria que este eterno plano conjugal fosse tão claro para nós, tão obvio para nós, que inscreveu uma imagem dele nos nossos corpos, fazendo-nos como homens e mulheres e chamando-nos a nos tornar uma só carne.

A união dos sexos deve ser, em certo sentido, um sinal sacramental do eterno mistério de Deus, de que o próprio Deus é uma eterna comunhão de amor e de que nós como homens e mulheres estamos destinados a tomar parte nessa comunhão. Aqui, o Santo Padre traz um dramático desenvolvimento do pensamento Católico.

Tradicionalmente, os teólogos diziam: Somos a imagem de Deus como indivíduos, através da nossa alma racional. Isto é certamente verdade. Mas o Santo Padre atreve-se a dar um passo mais longe e diz que ‘nós não apenas somos a imagem de Deus como indivíduos mas também somos a imagem de Deus através da comunhão  de homem e mulher, que Deus criou desde o princípio’. E desta forma, O Santo Padre está dizendo que a própria relação sexual se torna uma imagem ou um ícone, em certo sentido, da vida interior da Trindade.

Mas aqui temos que ser muito cuidadosos, porque Deus em si não é sexuado. Nós usamos o amor sexual só como uma analogia do mistério trinitário. E, tal como qualquer analogia, tal como qualquer realidade humana, a analogia irá em última analise falhar. A Analogia é frágil, Deus permanece transcendente, infinitamente transcendente para qualquer imagem humana ou qualquer linguagem humana. Por isso, é preciso não confundir o que tem sido dito aqui.
Deus não é feito nossa imagem como homens e mulheres. Nós é que fomos feitos à Sua imagem como homens e mulheres. Por isso, apesar de Deus em si não ser sexuado, a nossa sexualidade revela algo no mundo do mistério escondido de Deus. Algo daquela eterna comunhão de amor que dá a vida, que encontramos na Trindade. Mantendo em mente que existe um infinito abismo entre o Criador e a criatura.

Todos estão entendendo este importante ponto? Ok...
Como se diz yes em português? Vamos lá então...sim!

NOSSO DESTINO COMO HOMENS E MULHERES


Mas esta união de homens e mulheres não só revela a eterna comunhão de amor da Trindade como também revela nosso destino para partilhar essa troca de amor na Trindade. E como? Aqui, nós voltamos ao Capitulo 5 da Carta aos Efésios.
Esta é talvez a passagem mais importante das Escrituras para compreender teologicamente o corpo e a relação sexual. São Paulo cita o livro do Genesis e diz: ‘por esta razão o homem deixará o seu pai e sua mãe, e se unirá à sua esposa e os dois formarão uma só carne’. E depois ele acrescenta isso: ‘Isto é um grande mistério!’. Outras traduções dizem: ‘Isto é um grande sacramento!’. Outras traduções dizem: “Isto é uma grande prefiguração!’ de que da União de Cristo com a Igreja. Foi Cristo que deixou o seu Pai no Céu. Foi Cristo que deixou a casa da sua Mãe na terra para entregar o seu corpo à noiva,  para que nós, como ‘noiva’ de Cristo, possamos tornar-nos uma só carne com Ele.

Onde é que nos tornamos uma só carne com o noivo Cristo? ‘Isto é meu corpo entregue por vós.’

Eu nunca conheci meu sogro. Ele morreu quando minha esposa era muito nova.  Mas eu o admiro muito por causa da seguinte história:

No dia depois do casamento dele com minha sogra, eles estavam na missa, num domingo de manha, tendo acabado de consumar o seu casamento na noite anterior. E após ter recebido Nosso Senhor na Eucaristia, o meu sogro estava em puras lagrimas.
E sua esposa disse: Querido, o que é que te aconteceu durante a Missa?
E ele disse: ‘Pela primeira vez em minha vida, percebi o significado destas palavras ‘Isto é meu Corpo entregue por vós’.
Não cometam erros. Quando todas as distorções tiverem desaparecido, quando todas as mentiras tiverem sido rejeitadas, a mais profunda verdade e significado da nossa criação como homens e mulheres e do chamado dos dois para se tornarem uma só carne, o mais profundo significado é a Eucaristia.
A união do homem e da mulher numa só carne, a santa comunhão do homem e da mulher em uma só carne desde o inicio no Genesis deve ser uma prefiguração da Santa Comunhão de Cristo e da Igreja.
Se lembrem dos livros da bíblia, o casamento entre Adão e Eva, é uma prefiguração do casamento de Cristo e da Igreja. É por isto que vocês são homens ou mulheres. Vocês estão destinados a algo muito maior do que esta Terra pode oferecer.


A PREFIGURAÇÃO DO AMOR DIVINO


A união dos sexos tão bonita e maravilhosa como é, é só uma prefiguração de algo muito maior, a união de Cristo e da Igreja. Mas quando perdemos de vista essa união fundamental de Cristo e da Igreja, começamos a adorar a imagem, começamos a adorar a criatura em vez do Criador. E, por isso, como São Paulo diz no Capitulo 1 da Carta aos Romanos, quando isto acontece, quando adoramos a criatura, o corpo humano, em vez daquilo que o corpo nos revela, o divino, então estamos nos entregando à luxuria, a perversão, porque já não compreendemos que a união dos sexos é um mistério sacramental que nos conduz a algo muito maior.
Então o que ocorre é tão mal? Se a união dos sexos deve ser uma prefiguração do Céu, se a união dos sexos deve mostrar-nos a realidade eterna da Trindade, porque é que não vemos deste modo?

Pense por um momento com a mente do Impostor. Se há um inimigo de Deus que quer nos afastar do Céu, e se a união dos sexos deve ser uma prefiguração do Céu, o que é que acham que ele vai atacar? Se quiserem saber o que é mais sagrado neste mundo, tudo o que precisam fazer é olhar para o ato mais violentamente profanado. O diabo não é estupido. Ele ataca precisamente a imagem divina no homem, porque se ele conseguir corrompê-la, nós não iremos perceber nunca mais o que significa ser homem e mulher. E se deixarmos de perceber o que significa ser homem e mulher, somos muito efetivamente cortados do mistério eterno. Porque é nossa criação como homens e mulheres, e o chamamento dos dois para se tornarem uma só carne, que deve revelar ao mundo o mistério eterno escondido de Deus.

A Teologia do Corpo do Papa é um forte chamamento para reclamarmos o que o diabo plagiou. Se houver estudantes aqui, estou certo que sabem o que significa plagiar: pegar algo que não é seu e colocar o seu nome nele. O nome do diabo esta envolvendo todo o sexo, que não é dele e estamos aqui para reclamar o que ele plagiou. É uma ilusão, é uma ilusão pensar que podemos construir a Cultura da Vida, se não reclamarmos o que o diabo plagiou. E se quiserem reclamar isto comigo,  se quiserem reclamar isto com o nosso Santo Padre, preparem-se para uma violenta batalha espiritual.
E não é coincidência que após São Paulo ter explicado o significado da união de uma só carne em Efésios 5, em Efesios Capitulo 6, ele nos chama a tomarmos nossas armas para a batalha espiritual.

E sabem qual é a primeira arma que ele nos diz para tomarmos, para ganharmos esta batalha? Protejam a sua “cintura” com a verdade. Você sabe onde a sua “cintura” está certo? Sim? Suas Genitálias. Nós devemos proteger nossas cinturas, nossas genitálias, com a verdade. Vivemos numa cultura que nos encoraja a proteger-nos com látex. Não, nada de látex. Temos que nos proteger com a verdade. Isto é o que a Teologia do Corpo nos ajuda a fazer.

Na catequese do Papa, ele procura abordar, duas questões humanas fundamentais:

1)     O que significa ser humano?

2)     Como vivo a minha vida de forma a obter a verdadeira felicidade?

Para responder à 1ª questão – o que significa ser humano -, temos que olhar três estágios ou fases do drama humano: a nossa origem, a nossa história e o nosso destino. Onde estivemos, onde estamos agora e para onde nos dirigimos.
Voltando à nossa origem, descobrimos o plano original de Deus para a união dos sexos, quando o homem e a mulher estavam nus e não sentiam vergonha.
A razão pela qual eles estavam nus e não sentiam vergonha é porque viviam a união sexual tal como Deus a criou para ser.  Eles viviam a sua sexualidade de acordo com a imagem de Deus. Amavam-se um ao outro como Cristo nos ama. E qual é o maior mandamento que Jesus nos dá? ‘Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado.’ Eles estavam nus, sem vergonha, porque viviam o perfeito amor de Deus.

Mas sabemos que esta experiência de paraíso não durou muito. Nós herdamos a vergonha, o que demonstra que para nós é um esforço muito difícil amar a imagem de Deus com nossos corpos. Já não vemos o corpo como uma teologia. No entanto, Cristo nos chama através do dom da redenção para superar a luxuria. A luxúria é uma distorção, uma desordem do apetite sexual. E através do dom da redenção há um poder real a fluir da morte e ressurreição de Cristo, para desatar o que o pecado e a luxuria tinham distorcido.

É esta a boa nova com a qual vamos para o mundo. Não vamos para o mundo levantando o dedo ou condenando o mundo pelos seus excessos. Nós vamos para o mundo manifestando o que o mundo verdadeiramente anseia. Porque isto são distorções, isto tornou-se deturpado e a boa nova do Evangelho é que Cristo corrigiu isto e nós podemos viver uma sexualidade redimida. Podemos aprender gradualmente, não de um dia para o outro. Mas progressivamente, aceitando a nossa cruz e seguindo a Cristo, podemos aprender o que significa amar.

E isto não é uma teoria para mim, é uma experiência de vida. Somente pela graça de Deus, posso dizer que vivi e continuo a viver a transformação interior da minha sexualidade. Esta transformação, no entanto, não ficará completa até a ressurreição de nossos corpos, quando formos ressuscitados dos mortos, homens e mulheres, apesar de que Cristo disse já não iremos contrair matrimonio como aqui na Terra. Porque não?

Se lembram dos dois livros da Bíblia (Genesis e Apocalipse)?
O casamento dos novos Adão e Eva – Cristo e a Igreja – está consumado para toda a eternidade. A prefiguração dará lugar à realidade fundamental. Nós estamos destinados a participar nessa união fundamental. Agora podemos compreender a vocação do celibato e do matrimônio.
Aqui o Papa começa a responder àquela questão: Como é que nós vivemos as nossas vidas de forma a obter a verdadeira felicidade? Há duas vocações cristãs fundamentais: Celibato consagrado e Estado Matrimonial.
O Celibatário consagrado não rejeita a sua sexualidade. O celibatário consagrado devota todas as suas energias e desejos de união ao matrimonio que sozinho pode satisfazer.
Lembrem-se dos dois livros da Bíblia. Tão bonita e maravilhosa como é nossa união de homem e mulher, é só um brilho (um glítter), é só uma prefiguração de algo muito maior: a união de Cristo com sua Igreja.
Nós precisamos do testemunho celibatário, mais do que nunca, autenticamente compreendido e autenticamente vivido.
Porque o celibato aponta-nos para esse matrimonio definitivo. Quantos celibatários consagrados temos aqui na palestra? Podem-se levantar o que são consagrados celibatários?
Estes homens e estas mulheres revelam (por favor fiquem em pé, fiquem em pé), estes homens e estas mulheres, estes celibatários consagrados revelam ao resto do mundo e a nós, o propósito fundamental e o significado da nossa sexualidade.
Estamos destinados ao casamento de Cristo com a Igreja. – Obrigado, Obrigado, obrigado. (aplausos)
E agora, nós temos um novo contexto para compreender a união matrimonial. A união matrimonial só faz sentido para os cristãos se for vivida de acordo com o plano original de Deus, em antecipação ao casamento definitivo de Cristo com a Igreja.
Na minha próxima apresentação eu irei abordar em mais detalhe o Capitulo 5 da Carta aos Efésios e o que São Paulo ai quer dizer com a utilização da união do homem e da mulher, como uma analogia para Cristo e a Igreja. Mas muito resumidamente vou dizer o seguinte:
Se a união do homem e da mulher numa só carne deve ser a imagem da União de Cristo com a Igreja, aqui temos um novo contexto para compreender a Humanae Vitae.
Cristo disse: “Eu vim ao mundo para que a minha noiva possa ter vida e tê-la completamente”.

CONCLUSÃO


Teologia do Corpo significa que o mistério de Deus é revelado através dos nossos corpos. Sim, através da nossa fertilidade. O amor de Deus dá vida, o amor de Deus gera, é generoso, e é por isso que Deus nos deu órgãos genitais para podermos ser imagem da sua generosidade, gerando amor. Tornar a união estéril é dizer: eu não quero ser a imagem de Deus. Eu não quero amar a minha esposa como Cristo ama a Igreja.
De acordo com a analogia dos esposos o esposo é a imagem de Cristo e a esposa é a Imagem da Igreja. Por isso, a linguagem da relação sexual por parte do marido tem que ser, como o meu sogro entendeu: ‘Isto é meu corpo entregue por vós.’. A linguagem da relação sexual por parte da esposa tem que ser de acordo com o modelo da Igreja: “Que se faça em mim segundo a vossa palavra.”.
Mas se inserirem a contracepção nesta linguagem, temos uma linguagem muito diferente.
O marido agora diz: “Isto é o meu corpo não entregue a ti.
A Esposa agora diz: “que não se faça em mim segundo a sua palavra.
Isto se torna uma contradição. Um ‘falar contra’ o que é central no mistério divino, que deve ser proclamado e revelado através do corpo. De fato, o Papa vai tão longe que diz que o corpo humano na relação sexual é profético.
O que é um profeta?
Um profeta é aquele que proclama o mistério de Deus. E no entanto, o Papa acrescenta:  “nós devemos ser muito cuidadosos, ao distinguir entre verdadeiros e falsos profetas. Porque se podemos falar a verdade com os nossos corpos, também podemos dizer mentiras com nossos corpos. E se escolhermos mentir com os nossos corpos então estamos contradizendo o valor e o significado da nossa própria humanidade. Criada homem e mulher à imagem e semelhança de Deus.
Este é o novo contexto que o Santo Padre nos apresenta para compreender a Humanae Vitae.

Muito obrigado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

[...] não deixes por isso de abraçar estreitamente sua santa cruz. - São Padre Pio de Pietrelcina.

CATECISMO DE SÃO PIO X | Dos Mandamentos que se referem ao próximo - Do décimo Mandamento da Lei de Deus

Perguntas 12ª Artigo do CREDO | Creio na Vida Eterna, amém. | Catecismo de São Pio X

CATECISMO DE SÃO PIO X | Dos Mandamentos que se referem ao próximo - Do oitavo Mandamento da Lei de Deus

CATECISMO DE SÃO PIO X | Dos Mandamentos que se referem ao próximo - Do sétimo Mandamento da Lei de Deus