Combustíveis para nossa Fé


O Espírito e a Esposa dizem: “Vem!”. Possa aquele que ouve dizer também; “Vem!”. Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!

Essa semana, me apareceu um questionamento a respeito de quais seriam os combustíveis da nossa fé.
Utilizando de uma analogia que já foi muito usada, vamos comparar nossa caminhada de cristões em direção ao Céu com uma viagem de carro.
Vamos por exemplo pensar que, devemos fazer uma viagem de 1.500 km. Supondo que vamos chegar ao nordeste do Brasil.
Nós temos claramente definido que nosso ponto de partida é o marco zero de nossa caminhada, e que nossa chegada ao ponto final encerrará também nossa caminhada.

Como motorista prudente eu fiz um check-up completo no carro: Revisei pneus, óleo, step, amortecedores, motor, faróis, freios, água, pedi a concessionaria que verificasse a parte elétrica. Fiz um kit de revisão completo! A concessionaria me entregou um laudo dizendo que o carro estava "ok" para viajar. Enchi o tanque com um bom combustível.

Percebi que todos os detalhes estavam devidamente cuidados.
Comprei uns lanchinhos para deixar no carro, mudei as músicas do meu IPOD, levei também alguns livros para ler. Reservei algum dinheiro para viagem (cerca de R$ 400,00), pois sempre pode acontecer algum imprevisto. Tracei a rota com os melhores caminhos e mais seguros.
Iniciei a viagem. Estava muito empolgado, nossa! Sai com tudo. À luz do que me aguardava eu nem calculei direito os 1500 km. Só me interessava é que eu estava pronto. O sol estava brilhando no céu, era muito cedo, não tinha nuvens. Parecia o dia perfeito.
Saí de casa, com uma expectativa muito boa. Cheio de empolgação.
Depois de quase 500 km, eu estava passando perto de Resende no Rio de Janeiro, o carro apontou que o nível de combustível estava baixo e que eu precisaria abastecer.
Mas tudo certo. Abasteci em um posto na beira da estrada. Achei a gasolina um pouco cara, para falar a verdade. O preço muito acima do que eu tinha abastecido perto de casa, mas não me importei naquele momento. Paguei com cartão de crédito.
Continuei o caminho, e depois de uns 200 km de onde eu havia abastecido comecei a notar que a estrada estava totalmente esburacada, muitos carros fazendo malabarismo para passar pelos buracos. Alguns buracos eram tão grandes que certamente meu carro não conseguiria sair de lá se caísse dentro.
 Quando passei por um deles, notei um barulho diferente, um barulho alto em uma das rodas. Pensei que não devia ser nada. Fiz o melhor que pude para passar pelos buracos e continuar meu caminho, depois de um tempo comecei a ficar aflito, pois havia se tornado um esporte muito perigoso aquele, com caminhões passando na contramão e me jogando para fora da pista.
Com muito esforço passei por esses problemas.
Acho que por ficar meio atordoado dos buracos, perdi a atenção da estrada e me perdi. Fiquei meia hora tentando me encontrar, rodei, rodei. Embora estivesse com GPS (Global Position System) não conseguia me encontrar. Quanto mais perdido eu estava, mais aflito eu ficava. A irritação crescia em mim de tal maneira que me dava vontade de desistir da viagem.
Para minha surpresa, 30 km depois dos buracos, eu notei no céu, em meio às montanhas de Minas Gerais, nuvens negras horríveis anunciando que eu encontraria chuva pela frente. Para piorar, percebi que o carro começava agora a fazer um barulho muito alto no pneu que havia passado no buraco.
Procurei um lugar para parar, mas no caminho nada encontrei. Segui em frente, lentamente.
Um temporal desabou sobre a estrada. Vento, relâmpagos. Ainda era dia, mas tive que ligar os faróis. A pista me permitia a velocidade de 80 km/h, porém eu tive que andar a metade disso com medo de perder a direção e sair da pista.

Não dá para dizer agora, quantas vezes pensei em desistir da viagem e voltar para casa. Não posso dizer o quanto penso agora que não devia ter começado.

Torci para que esse temporal passasse logo, mas para minha infelicidade durou muito mais do que eu gostaria. E o barulho no pneu. Comecei a pensar que poderia ter arrebentado o amortecedor.
A essa altura, comecei a me questionar se foi uma boa ideia ter iniciado essa viagem. Irritado, desliguei o rádio. Tentei ver se o celular tinha sinal, não funcionava. Fiquei com medo. Estava muito escuro, não havia nada por perto. Só estrada, morros, vento e água, muita água.
Quando já estava começando a me desesperar, eis que encontro um posto de gasolina.  Encostei o carro. Entrei dentro da loja e vi que tinha um moço muito agradável lá dentro. Tentei puxar assunto quanto ao temporal, ele me disse que era normal para a época do ano. Que passaria num “instantim”.
Eu perguntei se tinha um lugar onde poderia verificar o problema no carro, ele me recomendou que esperasse a chuva passar e que a 2 km eu poderia encontrar um mecânico e este poderia fazer algum reparo.
Fiquei chateado, pois esses problemas todos me atrasariam na viagem, mas ele me disse que a estrada era muito perigosa, especialmente com chuva, e que o melhor era que eu aguardasse.
Pedi a ele um café com leite e resolvi seguir os conselhos. Esperar até o temporal passar. Nesse momento, posso dizer que minha aflição foi diminuída.
Como ele havia me antecipado, logo a chuva passou. As nuvens se foram e eu pude seguir viagem. Encontrei o lugar onde ele havia me dito, haveria um mecânico. Levei o carro até lá e ele fez o reparo necessário. Levou R$ 380,00 das minhas reservas.
Continuei viagem, e depois de algum tempo, o combustível estava acabando. Parei novamente em um posto e coloquei uma gasolina mais barata. (se arrependimento matasse!)
Sai do posto e depois de 100 km, comecei a notar que o carro estava dando uns trancos quando trocava de marcha. Xinguei o combustível de má qualidade que eu tinha colocado.
Torci para que aquela porcaria acabasse logo para colocar outra no lugar. A essa hora o cansaço estava me tomando e eu tinha que encontrar um lugar para ficar a noite. Já eram 19:00 da noite.
Por volta das 20:00 cheguei a uma cidade que tinha uma pousada e fiquei por lá.
Tomei um banho, jantei, assisti um pouco de televisão, li um livro e fui dormir. Queria continuar a viagem no outro dia cedo.
No outro dia pela manha, logo cedo, tomei rapidamente um café. Abasteci o carro com uma gasolina melhor agora e segui viagem.
Faltavam ainda 600 km para eu chegar ao destino final.
Depois de 400 km, tive que parar para ir ao banheiro, almocei, descansei um pouco depois do almoço. Tentei tirar uma soneca, mas não consegui. A ansiedade já estava me agitando.
Reiniciei minha viagem e para poder chegar ao meu destino, mais uma vez foi necessário abastecer.
Cheguei ao ponto final, onde pude estar com aqueles que amo, estava na Bahia.
Este roteiro foi baseado nas viagens que fiz com meu pai e com meu irmão para a Bahia. Nós costumávamos fazer esse trajeto de ônibus uma vez por ano. Depois viajamos algumas vezes de carro.
Trazendo essa analogia para a nossa caminhada de cristão, e relacionando ela com a citação do Apocalipse. Nota-se que quando começamos a viagem seja para a Bahia, seja para o Céu, estamos muito empolgados.

Isso tudo é notável em seu comportamento. Sua alegria, empolgação. Agradecemos a Deus todos os momentos por tudo. 

Tudo é novo, cheio de alegria, tudo é maravilhoso. O sol brilha, o tempo é ótimo, estamos novos, descansados. Carro abastecido, etc.
Depois de certo tempo, o desanimo começa a nos pegar. Os problemas aparecem. As dificuldades vêm sobre nós, os buracos na estrada, o temporal, a solidão, o medo.
Às vezes temos a impressão que já passamos por tudo e o pior vem de uma maneira mais intensa.
O que nos acontece?
Começamos a pensar bobagens, pensar que estamos errados, que não deveríamos ter iniciado a viagem, pensamos que não foi a decisão mais acertada, que tudo é difícil. Que é perigoso.
Diferente de quando fazemos a viagem de carro, nós nos esquecemos de nos abastecer, de nos levar ao mecânico, de verificar como vai nosso corpo, nossa alma, nosso coração. De parar um pouco quando não podemos prosseguir. Esquecemos que devemos pedir ajuda, que precisamos pedir orientação correta, às vezes nem sabemos onde devemos buscar orientação correta e também não perguntamos.
A caminhada na fé começa como um belo dia de domingo de sol, no qual planejamos uma viagem e tudo começou certo. Aos poucos, as condições de nossa caminhada nos oprimem, nos esmagam. Choramos de frustração. Por vezes nos perdemos do caminho.
Em algum momento, acreditamos que Deus não existe. Tamanho é o temporal e os problemas que se apresentam diante de nós, que por vezes, pensamos em desistir.

Deus não olha para nós como achávamos.

Por isso, gostaria de abordar com você cinco tópicos que podem ser usados durante sua viagem:

- O Espirito Santo;
 - A Oração;
 - A Comunhão;
- A Palavra de Deus; e
- o Louvor.
Tem se feito perceptível que na nossa viagem até Deus, esses cinco elementos escritos acima, são os elementos essenciais para nossa caminhada na fé. A Igreja Católica é riquíssima em símbolos e em relíquias para a fé, bem como em ícones para a fé. De forma que temos muitas vias pelas quais podemos trafegar até chegar a Deus.
Em resumo, eu diria que esses cinco elementos estão presentes na vida de todo cristão que busca à Deus. E cada um desses itens apresenta para nós a possibilidade de nos abastecer em todo momento durante nossa caminhada, eles representam ícones que dentro da analogia de nossa viagem podem ser claramente identificáveis.
É importante lembrar que a historia do povo Judeu é apresentada realisticamente com a viagem feita pelos judeus em destino a Terra prometida. E que provavelmente muitos desses elementos foram vivenciados pelo povo.

O Espírito Santo

O Batismo no Espirito Santo é o inicio de nossa caminhada com Deus. É pelo batismo na água que somos iniciados em nosso caminho com Deus.  Note que, falamos em caminhada com Deus, ou seja, do momento em que iniciamos através do batismo Deus já está conosco a nos conduzir e a nos acompanhar.
Deus já está conosco, pois por meio do Batismo, começamos a participar de sua vida santa e santificante. De toda forma, ainda nos resta continuar o caminho, mirando sempre a meta final que é a comunhão plena e total com Deus.
O Espirito Santo nesse contexto abrange também a ideia do contato inicial, a ignição. Quando poe o carro em movimento.

A Oração

Dentro desta analogia, compreendo que a oração se refere a atenção constante que devemos ter em nosso caminho. Se nos afastamos nossa atenção de Deus, então certamente, perderemos o foco para coisas menos importantes como dinheiro, carreira, fama, sucesso, gravação de CD, ser o primeiro que fez isso, que fez aquilo.
E esse é o risco, pois podemos facilmente substituir Deus por outros itens menos importantes. Todos sabem que um motorista que deixa de prestar atenção e se distrai acaba seguramente envolvido em algum acidente de transito que pode lhe custar a vida. No nosso caso, a oração nos manterá alertas e com os olhos focados em nosso preceito. “Orai e vigiai”...

A Comunhão

A Eucaristia pode entendida dentro deste conceito como o  combustível. Honestamente, não entendo pessoas que desanimam e deixam de frequentar a missa, de comungar ou de buscar a vida de comunidade sob o pretexto do desanimo.
Se entendemos que, desanimamos, sentimos esse desanimo aparentemente em nós, como podemos deixar então de buscar a comunhão com Jesus Cristo e com  nossa comunidade, lembre-se que após se separar da Comunidade (João 21) Pedro se sentiu desanimado, fraco e desorientado, se tornando incapaz de realizar uma tarefa simples para ele como pescar.

A Palavra de Deus

A palavra de Deus pode se interpretada com combustível também. Mas a meu ver a luz do que temos hoje, parece mais com uma bussola, mapa ou GPS (Global Position System). Pois é ela que indica, para onde devemos rumar e como devemos rumar. Lembre-se que é na Biblia que Deus fala conosco e que é a forma mais direta para ouvirmos o desejo de Deus e buscar orientação.

Louvor

O louvor entendido pode ser associado ao ato de louvar a Deus, agradecer. E também uma forma artística de dar graças como com as músicas.
Dentro desses conceitos todos observamos claramente que podemos beber claramente da agua viva e que podemos nos alimentar de Deus. Mas percebe-se que é pelo louvor que podemos no dia a dia.

Todos esses conceitos são muito simples e simbólicos. Pode se perceber que estão intimamente ligados uns aos outros e se interligam conosco e com nossa fé.
Também abrangem claramente a cultura e a devoção aos Santos e Santas, visto que eles podem ser para nós as placas de sinalização que nos indicarão nos piores momentos os caminhos certos a seguir.
Maria, nossa Santa mãe , é exemplo disso. E podemos claramente tê-la como nossa condutora.
Devemos entender que uma analogia sempre é limitada, e ela tem a função simbolizar para nós de maneira concreta um entendimento espiritual e que muitas vezes pode ser complexo.
Por isso, é necessário que se entenda que os cinco itens citados acima são a Essência e o Combustível para sua fé e que está analogia apenas busca lhe apresentar uma forma clara para ver isso.
Como podemos ver, na leitura do Apocalipse:“Vem!”. Possa aquele que ouve dizer também; “Vem!”. Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!

Jesus é nossa fonte e principal combustível para saciar-nos. 

Reserve um momento para Adorar a Deus!

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