Teologia do Corpo - Christopher West - Parte 2

A Teologia do Corpo - Papa João Paulo II

Christopher West

A União de Duas Pessoas


Porque a união do homem e mulher em uma só carne é a fonte da riqueza da cultura: ‘É o fundamento mais profundo da ética humana,’ diz o Papa. Eis uma forma mais simples de entender isso:

Qual é a célula fundamental da sociedade? A família!
Mas qual é a origem da família? Como vai a família, assim vai o mundo, mas o que estabelece a família na verdade?
Qual é o fundamento da família? O que é que permite a um homem e uma mulher tornarem-se uma família? A união dos dois numa só carne. De acordo com a concepção gloriosa, própria de Deus, Este é o fundamento da família. A união do homem e da mulher em uma só carne.

Como vai a relação sexual, assim vai o casamento. Como vai o casamento assim vai a família, como a família vai, assim vai o mundo.

É por isso que nosso Santo Padre disse na grande encíclica Evangelho da Vida, e cito: ‘É uma ilusão pensar que se pode construir uma verdadeira cultura da vida humana, se não aceitarmos e vivermos a sexualidade, o amor e a existência inteira, de acordo com seu significado verdadeiro e a sua íntima correlação’. Isto está no Evangelium Vitae número 97.

Deixe-me ler isso mais uma vez. ‘É uma ilusão’ diz o Santo Padre ‘pensar que se pode construir uma verdadeira cultura de vida humana se não aceitarmos e vivermos a sexualidade, amor e a existência inteira, de acordo com o seu verdadeiro significado e a sua intima correlação’.

As questões de sexualidade, como tenho tentado demonstrar, estão intimamente relacionadas com as perguntas fundamentais que fazemos acerca do significado da nossa existência.  

A Palavra SEXO


 - Porque que é que eu existo?
 - Como devo viver a minha vida de maneira a obter a verdadeira felicidade?
 - O que significa ser humano?
 - Qual é o meu destino final e como o alcanço?
 - Porque é que há mal no mundo e como o evito?

Como aprendemos na Teologia do Corpo do Papa, estás questões estão intimamente ligadas com a forma como vemos e vivemos a nossa sexualidade. E, no entanto, em nossa cultura, certamente, nos EUA e eu imagino que a cultura europeia e a portuguesa sejam similares – a palavra sexo tem que ser redimida em nosso pensamento.
Ela tem sido tão corrompida, tão abusada!
Em primeiro lugar, quando digo a palavra ‘sexo’, não estou me referindo acima de tudo ao que pode acontecer atrás das portas fechadas, num quarto. O sexo, eu gostaria de sublinhar, não é um verbo, é um substantivo. É quem nosso somos.
Homens ou mulheres!
Por isso, quando fazemos a pergunta acerca do significado do sexo, estamos a fazer a pergunta acerca do significado da nossa criação como homem e mulher.
Isto é o que a Teologia do Corpo procura abordar: porque é que Deus nos fez homens e mulheres e porque é que chamou os dois para se tornarem uma carne?
Vamos definir esta expressão: Teologia do Corpo.

Teologia, é claro, é o estudo de Deus. Mas uma teologia do corpo?
Porque é que o Santo Padre se refere ao corpo humano, esta coisa carnal que se não lavarmos muito bem, no fim do dia vai cheirar mal, como é que está realidade terrena pode ser uma realidade teológica? Um estudo do divino?

Como cristãos, estamos habituados a uma ênfase no espiritual. Mas muitos de nós não se sente a vontade com a ênfase no corpo. Para o Papa João Paulo II esta é uma falsa dicotomia. Como o Catecismo da Igreja Católica diz, no nº 1146, ‘sendo ao mesmo tempo corpo e espírito, o homem expressa e compreende a realidade espiritual através de físicos sinais e símbolos. A única maneira de nós, como seres humanos, de certa forma podermos encontrar a realidade espiritual é através de nossos sentidos. Através de nossos corpos.

O catolicismo é uma religião muito sensitiva e com isto quero dizer vivemos a realidade do espírito através de nossos sentidos. Lavando o corpo com água, ungindo o corpo com óleo, impondo as mãos, comendo e bebendo o corpo e sangue de Jesus Cristo. E é através dessa união, através da qual homem e mulher juntam suas vidas tão intimamente unidas, que se tornam uma só carne.

Estas são as realidades sacramentais, onde encontramos a realidade espiritual através de sinais e símbolos materiais. E o nosso Papa diz que o corpo humano, em certo sentido, é ele próprio um sacramento. E aqui, é claro, não dizemos sacramento no sentido estrito, não nos referimos aos sete sacramentos, mas trata-se de um sacramento com um ‘s’ minúsculo, podemos dizer. Trata-se de regenerar uma visão uma visão mais ampla, mais antiga do termo sacramento, que significa tornar visível o invisível.

A Importância do Corpo


Não podemos ver Deus, correto?!
Ele é invisível. Deus é puro espirito!
E, no entanto, o cristianismo é a religião do Deus invisível se fazendo visível, do Deus intocável fazendo-se tangível, do Deus incomunicável comunicando-se com criaturas inferiores.

Como é que o invisível se torna visível?
Como é que o intocável se torna tocável?
Como é que o incomunicável se comunica?
O verbo foi feito Carne! De novo, o Verbo foi feito Carne.
O invisível se tornou visível através da Carne de nosso Deus.
O intocável é agora tangível através da Carne de nosso Deus.
O incomunicável está agora a comunicar para nós através da Carne do nosso Deus: ‘Isto é meu Corpo entregue por vós.’
Não deveria parecer estranho falar de uma Teologia do Corpo, se acreditássemos na Encarnação.
Como o Santo Padre disse: ‘pelo fato de a palavra de Deus ter se tornado carne, o corpo entrou na teologia pela porta principal.’ Teologia do Corpo.

Deus revelando o Seu mistério através da carne humana.
É esta a verdadeira lógica do cristianismo. Não é só um obscuro ensinamento do Santo Padre. Isto leva-nos exatamente ao âmago do mistério cristão.
Nós acreditamos num Deus encarnado.


Agora vou ler para vocês a declaração de Tese do Santo Padre da sua teologia do Corpo.

Se eu quisesse resumir as 129 audiências era aqui que chegaríamos. O Santo Padre diz que ‘o corpo e apenas o corpo é capaz de tornar visível o que é invisível, o espiritual e o divino. Foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido desde os tempos imemoriais em Deus e assim ser um sinal desse mistério’.

Vou repetir:
O Corpo, e apenas o corpo’ – diz o Santo Padre – ‘é capaz de tornar visível o que é invisível, o espiritual e o divino.’ Vamos para por aqui por um momento.

Nós, como seres humanos, somos espirituais, mas não somos meramente espirituais. Somos uma combinação do espiritual e do material. Há uma profunda unidade na pessoa humana entre corpo e alma. Como é que vocês sabem que o mistério espiritual de Christopher West está aqui diante de vocês?

Vocês veem meu espirito?

Mas vocês veem meu corpo que torna visível para vocês o mistério invisível do meu espírito. Tal como o vosso corpo para mim. E, no entanto, porque somos homens e mulheres, somos feitos à imagem e semelhança de Deus. O Corpo humano também torna visível algo do mistério invisível da verdadeira divindade de Deus.
Ele faz visível o espiritual e o divino. Por conseguinte, continuando o Papa diz: ‘o corpo foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido desde tempos imemoriais em Deus e, assim, o corpo torna-se um sinal deste mistério divino.’
Agora, qual é o mistério de Deus desde os tempos imemoriais? Isto é uma expressão de São Paulo – que o Santo Padre cita – na carta aos Efésios em que fala do mistério escondido há séculos em Deus, que se tornou agora visível.

O que é o mistério há séculos escondido em Deus, que se tornou agora visível?

O Catecismo explica bem, no nº 221. Nos lemos lá que ‘Deus tem revelado o seu mais intimo segredo.’ Vocês deveriam estar desorientados agora. Deus tem revelado o seu mais intimo segredo.
O que é? O que é o mais íntimo segredo de Deus? Está é a chave para compreender o universo!
O mais íntimo segredo de Deus é que ‘o próprio Deus é uma eterna comunhão de amor, Pai, Filho e Espirito Santo. E Ele tem nos destinado a nós, a tomar parte desta Comunhão’.
A verdadeira razão por que vocês foram criados, a verdadeira razão porque existem é porque estão destinados à comunhão.
Vocês podem também dizer isso: Estão destinados ao amor!


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